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18/05/2018 / Paulo Wainberg

CHUVA

Chove em Porto Alegre, esta cidade que já foi minha e que hoje é de ninguém.

Em dias assim, caminhar é bom, sentindo os sapatos umedecendo nas águas do chão (que com certeza lavaram o sangue de alguém) e os guarda-chuvas flutuantes cobrindo rostos e igualando todos, uma terra de guarda-chuvas cobrindo seres que pensam em uma tarde na cama, com vinho e com a pessoa amada ao lado, tudo menos estar ali, no ponto de ônibus que chegará esparramando água e condensando gente.

Gosto de ver os prédios lamurientos e as árvores lacrimosas e é quando penso que o céu está chorando, vertendo suas lágrimas de pesar sobre a Natureza, para que Ela saiba que há quem a pranteie, que há quem a banhe e que Ela não está sozinha neste Universo.

Mas eu me sinto só e, em dias assim, gosto da minha companhia, gosto de estar comigo mesmo, alegre com o dia que parece triste e que, na verdade, brilha a não mais poder.

Quando a chuva cai, não há mais tempo nem espaço, nada a perder e, a ganhar, a água celestial que lava meu rosto, me torna belo, forte e eterno.

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