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14/12/2016 / Paulo Wainberg

Conversando com Deus

Podem me acusar de herege, apóstata, iconoclasta, hedonista e pé-de-valsa, mas eu converso com Deus sim senhor, apesar de não acreditar nele.

Nosso último bate-papo ocorreu há mais de trinta anos, quando sugeri a ele que acabasse com as segundas-feiras e condenasse ao inferno garçons que servissem chope quente. Ele não aceitou minhas sugestões e olha só no que deu…

Foi uma conversa de verão.

Semana passada conversei com ele de novo:

– Senhor, posso ter um minutinho da sua atenção?

– Não tenho um minutinho, respondeu ele, mas disponho de toda a eternidade. O que você deseja, meu filho?

– Quero falar um pouco do Brasil.

– De quem?

– Do Brasil, aquele país cujo povo gosta de dizer que é de onde o senhor é.

– Eu????

– É! A gente gosta de falar que o senhor é brasileiro?

– Você está de brincadeira? Brasil… Brasil… Deixe ver… – Pedro, você já ouviu falar em Brasil?

– Claro que sim, senhor. Tem até uma gozação: Deus é brasileiro e o Papa é argentino.

– Mas de onde saiu isso, Pedro?

– Sei lá, acho que é coisa do futebol, rivalidade eterna, essas coisas e tal…

– Senhor, intervi, Brasil é um país da América do Sul que tem mania de grandeza, é comandado por cinco famílias e dezoito empreiteiras e onde o povo se garante desde que garantam o dele.

– Diga logo o quer, meu filho, sua eternidade está acabando.

Foi aí que travei. Congelei. Paralisei. O que podia pedir a Deus que estivesse ao alcance dele ou que ele desejasse fazer? Fora Temer? Fora Lula? Saúde para todos? Educação para as criancinhas? Igualdade social? Fim da violência? Investigação profunda no Poder Judiciário? Prisão para políticos corruptos e corruptores institucionais? Fim da Lavajato? Eleições gerais já, inclusive para presidente? Mudança do regime político? Volta do Internacional para a série A? Fim dos privilégios dos Senadores, Deputados e Ministros? Tantas coisas, tantas coisas…

Refleti um pouco e desalentado, refiz o pedido de há mais de trinta anos: Fim das segundas-feiras e envio imediato ao inferno de garçons que servissem chope quente no verão.

E ele me respondeu como da outra vez:

– Existe um Plano, meu filho, e o Plano é o Plano. Até a próxima.

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