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05/12/2016 / Paulo Wainberg

Símbolos da paixão

– Falar em amor numa hora dessas – bradou o poeta etílico

Como se fosse um vampiro hemofílico.

– Quando meu amor da vida inteira declara – diz ele, tomando mais um trago – Que fui de tudo na sua vida, principalmente um estrago!

– E eu – segue o poeta empinando a cachaça – Que amargurei meus dias, minhas noites e minhas fantasias esperando um sinal, um anúncio, um olhar de trapaça que revelasse, mesmo que sorrateira, que a recíproca era verdadeira, vi meu sonho, minha quimera, transformados em burlesca guerra, quando ela me disse, impiedosa  fera, que comigo não, nem que eu fosse o último homem sobre a Terra.

Dor maior não pode existir, digo eu, biógrafo do poeta, do que assistir ao fim da razão, o poeta no chão, bêbado na sarjeta,  que a beleza da paixão tão assim plena de graça, transformar-se em abjeta condição, em suicídio em vida, em desgraça.

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