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03/11/2016 / Paulo Wainberg

O traidor

Haroldo tentava explicar a Clarinha o significado do bilhete escrito com letra feminina que ela havia encontrado no bolso da camisa dele e que dizia: “Hoje às quatro no motel de sempre”.

– Pegadinha, amor. O pessoal do escritório está de sacanagem comigo.

– Não mente Haroldo. Desconfio de você já muito tempo e agora tenho certeza.

-Certeza? Certeza do que, Clarinha?

– Uma amante. Você tem uma amante! Quem é ela? E que motel é esse?

-Eu sou lá homem de ter amantes, Clarinha. Minha vida, você sabe, é um livro aberto. Esse bilhete aí é uma brincadeira, liga para o escritório, não, deixa que eu ligo e vou te provar que foi apenas uma sacanagem da turma.

-Essa não, você não vai ligar para ninguém. Quero saber qual o motel que vocês vão e há quanto tempo você tem essa mulher! E quem é ela, hein? Quem, Quem, Quem???

Haroldo percebeu que a coisa estava preta. Clarinha não ia acreditar em nada e em nenhuma explicação.

Foi aí que cometeu o erro terrível, aquele que homem algum deve cometer mesmo se flagrado em pleno ato: Confessou.

-Está bem, Clarinha, eu errei, você tem que me perdoar, não sei o que me deu, foi uma coisa quase acidental, conheci a Laura numa convenção, começamos a conversar, conversa inocente, sabe?, conversa de profissionais, aí acho que bebi demais, não lembro direito o que aconteceu, quando vi estava no quarto dela e aí… bem…. aí aconteceu. Você me perdoa?

-A Laura? A Laura???!!!  Você é muito canalha, Haroldo. E ainda por cima não tem gosto, a Laura, aquela magricela… Mas não foi apenas uma noite, não é? Vocês continuam…

-Eu não queria mais, eu não quero mais meu amor, mas ela ameaçou contar tudo a você, eu não queria que você sofresse nem que pensasse mal de mim, eu amo você Clarinha, nenhuma outra mulher é capaz de substituir…

-E o motel? Qual é o motel que vocês vão, onde vocês vão se encontrar hoje as quatro?

– Eu não vou, eu não vou! Nunca mais vou encontrar essa mulher…

-Qual é o motel, Haroldo?

– Está bem, a gente se encontra… se encontrava no Cheiro de Luxúria.

O rosto  de Clarinha se transfigurou. A fúria sumiu e uma rara expressão de paz surgiu na sua atitude. Com voz que mal disfarçava o alívio, ela disse:

-Graças a Deus, não é o que eu frequento.

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