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31/10/2016 / Paulo Wainberg

Muito sobre nada

É muito comum perguntarem a esta educativa coluna a razão de sua permanente pesquisa e busca para sondar o insondável.

Garanto que pelo menos oito pessoas já fizeram esta pergunta. E em todas a vezes escapei-me da resposta, fugi do assunto e falei de outra coisa.

Porém hoje, por ser um dia especial, tão especial quanto qualquer outro, resolve a coluna enfrentar a questão e satisfazer sua multidão de curiosos.

Não! Repetimos: Não! Não aceitamos os conformismos, as verdades incontestáveis, a ignorância consentida e os dogmas da sabedoria.

Queremos mais, sempre mais, queremos ir aos âmagos, aos fundamentos, às palavras, substantivos, adjetivos, interjeições, pronomes e entre aspas que ninguém liga, que ninguém indaga, esses que vivem e morrem sem jamais perguntar por que um ‘a’ é um ‘a’ e um ‘b’ é um ‘b’.

Queremos saber os motivos, as metáforas, as parábolas e os esconjuros que fazem  de um ‘a’ um ‘a’ e de um ‘b’ e um ‘b’.

Nem sempre somos bem sucedidos, reconhecemos, mas isto não nos desanima.

Já deciframos alguns enigmas que só existiam em nossa imaginação. Quando nos deparamos, por exemplo, com uma verdade universal, logo nos indagamos: Universal sim, mas de qual Universo. O nosso? Ou algum outro Universo vagando por aí e que, por alguma razão (que ainda iremos descobrir) invadiu o nosso e transformou um simples fato, como por exemplo: as formigas são insetos, numa verdade universal.

Débrais, famoso pároco na vila de Lavon-sur-Mitrage, no interior do Canadá francófilo e que acabamos de inventar ( o pároco e a vila) porque não somos afeitos à citações e inventamos as nossas próprias, gostava de dizer que universos paralelos são tão reais quanto chimarrão com amendoim torrado nas noites invernais das fronteiras gaúchas e que duvidar deles era semelhante à mais grave das heresias.

Claro, não fosse ele uma invenção, teria sido queimado nas fogueiras de Torquemada visto que sabemos todos que nas fronteiras gaúchas amendoim torrado é acompanhamento para uísque, jamais para chimarrão.

É por isto que esta educativa coluna, em seu perpétuo afã de esclarecer os mais profundos mistérios existenciais, baseado em pesquisas aleatórias e indagações populares, vai revelar a razão pela qual Jean Paul Sartre, o filósofo do Existencialismo, escreveu seu monumental livro La Nausée (A Náusea, para o vulgo).

Naquela noite Sartre dirigiu-se ao Deux Magôs na esperança de encontrar aquela petite jeunne fille que estudava sua obra, uma simplesmente divina garota parisiense dos anos 60, louca para mostrar que o amor livre era uma meta. Entretanto, na sua mesa habitual, deparou-se com a carranca feminista de Simone, a de Beauvoiar, rabiscando em seu caderno frases de efeito dilacerantes.

Mal humorado, sentou diante dela e pediu um prato de escargôts (lesmas cozidas, para o leigo). E pôs-se a devorar o prato.

Ainda ressentido pediu outro, enquanto Simone escrevinhava sem erguer os olhos e nada da esperada garota.

Mais adiante pediu outro e outro mais, até que embuchado até às amigdalas, deu adieu à Simone e, deixando a conta para ela, dirigiu-se ao seu lar.

E aí o drama começou. Já no táxi seu estômago deu sinais do que viria e, mesmo subindo as escadas na corrida, não evitou que respingos escatológicos manchassem suas calças (até hoje não se sabe se Sartre usava ou não cuecas).

Durante três dias, sofrendo as agruras de uma terrível infecção intestinal, os primeiros conceitos de La Nausée foram surgindo em sua mente.

Dias após, e quase de uma tirada, escreveu a obra que seria a base filosófica de sua doutrina, inspirando gerações e invadindo o Século XX como uma nova e decisiva forma de pensamento filosófico, da qual foram os hippies dos anos 60 seus maiores beneficiários.

Mais uma vez esta educativa coluna presta seus serviços à Humanidade, decifrando outro de seus enigmas e revelando a verdadeira verdade, aquela que ninguém jamais suspeitou, aquela que ninguém jamais quis saber: A Náusea de Sartre foi inspirada por uma diarreia monumental provocada por excesso de ingestão de lesmas cozidas.

 

 

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