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13/09/2016 / Paulo Wainberg

O Impeachment e suas farsas

A multidão que se manifestou nas ruas brasileiras proclamava basicamente o seguinte: Impeachment já (= Fora Dilma); Fora Lula (= Fora PT); Fora Cunha (= Fora corrupção); Basta de corrupção (= Fora políticos). Nenhum ‘a favor’ de nada e de ninguém. Queriam “MUDANÇA’ sem clareza no que seria essa mudança. Quem eram os manifestantes? A classe média brasileira, é óbvio. Ora, a classe média em qualquer país do mundo, inclusive nas ditaduras, é formada por todo o tipo de pessoa e de pensamento. É dela que emergem os intelectuais, as ideologias, os pensamentos de esquerda e de direita, os radicais de um lado e de outro e de simplesmente pessoas, que querem viver suas vidas tranquilamente, trabalhar, constituir família, cuidar dos filhos, ganhar dinheiro e morrer rodeados de netos. A classe média não é e nunca foi, em nenhuma sociedade de qualquer civilização, um partido político e, no entanto, sempre foi responsável pelas grandes mudanças sociais, pelas revoluções e pelas ditaduras ‘autorizadas’. Todos esses segmentos estavam representados nas grandes manifestações, da esquerda mais radical à direita mais odiosa. O Brasil revelou o seu lado corrupto (=Lavajato) e a hierarquia odiosa de representantes tanto das oligarquias (elites) quanto do populismo (PT). E a classe média, à vista do que seus olhos viam, reagiu contra! Nenhum político foi sequer aceito nas manifestações, muitos inclusive veemente rechaçados. Entretanto as manifestações eram políticas!

Continuando: A farsa do impeachment de Dilma, foi uma farsa política e uma verdade jurídica. Como advogado, não tenho a menor dúvida de que ela, arrogante, autoritária e autossuficiente, cometeu crime de responsabilidade fiscal, tanto na edição dos decretos sem autorização do legislativo quanto nas pedaladas fiscais. Mas não foi essa a farsa. A farsa começa na bizarra sessão da Câmara dos Deputados, que durou quatro dias e quatro noites, na qual se revelaram, na média, a mediocridade pessoal, a indigência mental e a pobreza postural dos deputados federais (na média porque as roupas, as homenagens, as posturas, seriam risíveis num baile de carnaval a fantasia), e o grande acordo político (?) que transformou o processo num programa que nem o Chacrinha ou o Faustão ousariam apresentar em seus programas. E no Senado (argh), amigos senadores (argh) íntimos, tinham as cartas marcadas para o que iria acontecer. Desde o início, fui contra o impeachment, mas quando Dilma iniciou sua ladainha de que impeachment sem crime é golpe, tornou-me um ardoroso defensor dele. A postura de Dilma equivale a do assassino arrogante e acima da lei que, flagrado desferindo a 15a facada na vítima, alega que não cometeu crime, que é inocente, e que sua condenação é um grave erro judiciário. Parlamentos não praticam golpes de Estado, retórica utilizada por Dilma e seu defensor, este então, um mestre da oratória e do sofisma.

A farsa do impeachment de Dilma, foi uma farsa política e uma verdade jurídica. Como advogado, não tenho a menor dúvida de que ela, arrogante, autoritária e autossuficiente, cometeu crime de responsabilidade fiscal, tanto na edição dos decretos sem autorização do legislativo quanto nas pedaladas fiscais. Mas não foi essa a farsa. A farsa começa na bizarra sessão da Câmara dos Deputados, que durou quatro dias e quatro noites, na qual se revelaram, na média, a mediocridade pessoal, a indigência mental e a pobreza postural dos deputados federais (na média porque as roupas, as homenagens, as posturas, seriam risíveis num baile de carnaval a fantasia), e o grande acordo político (?) que transformou o processo num programa que nem o Chacrinha ou o Faustão ousariam apresentar em seus programas. E no Senado (argh), amigos senadores (argh) íntimos, tinham as cartas marcadas para o que iria acontecer. Desde o início, fui contra o impeachment, mas quando Dilma iniciou sua ladainha de que impeachment sem crime é golpe, tornou-me um ardoroso defensor dele. A postura de Dilma equivale a do assassino arrogante e acima da lei que, flagrado desferindo a 15a facada na vítima, alega que não cometeu crime, que é inocente, e que sua condenação é um grave erro judiciário. Parlamentos não praticam golpes de Estado, retórica utilizada por Dilma e seu defensor, este então, um mestre da oratória e do sofisma.

Entretanto, quando o parlamento e o judiciário se unem, tudo é possível. E é tão possível que hoje sabemos que Lewandosvki, presidente do STF, havia desde o início aceitar uma aberração jurídica articulada juntamente com o execrável Renan Calheiros e seus asseclas, qual seja a de aceitar “destaques” para norma constitucional e, assim, impedir Dilma preservando seus direitos políticos. Do início ao fim, uma grande farsa comandada por políticos bizarros, histriônicos, de baixa estatura pessoal (deputados federais) e ardilosos, corruptos e execráveis argh senadores, para um final feliz no qual se tira a presidente do poder e se garante o direito de ela se candidatar, amanhã, para qualquer cargo público que quiser, dizendo assim que a Constituição vale para nós, o povo, a classe média, os idiotas como nós, mas não para eles, os reais detentores do Poder. Lewandovsky foi um gentleman, um condutor imparcial, firme e competente comandante do processo. Até os 49 do segundo tempo (com os descontos), quando legitimou a maior fraude jamais cometida neste País, em conluio evidente com Renan que, tão logo proclamada a decisão, Constituição em punho e extemporaneamente, declara seu voto a favor de dividir a norma constitucional em duas, senha evidente para o seu enlameado córrego de asseclas.

CONCLUINDO: Nada, portanto, a estranhar nas manifestações de Fora Temer. A Classe Média brasileira não queria Temer na presidência. E ainda não quer. Ao contrário das manifestações corporativas do PT, CUT, MST e outras organizações que defendem seus interesses próprios, a classe média brasileira não optou por Temer no Poder nem está satisfeita com isto. Mas por motivos distintos: Porque para ela Temer não representa a MUDANÇA tão pedida e sim uma espécie de continuismo tradicional da velha política dominada pelas grandes famílias herdeiras das capitanias hereditárias, das quais Sarney e Renan são os atuais mais expressivos representantes. E porque para as organizações petistas e seus projetos de Poder, representa um baque na ambição desmedida de usufruir, roubar e sindicalizar o Brasil.

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