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27/02/2016 / Paulo Wainberg

O não de uma mulher

Esta educativa coluna, no afã de esclarecer seus leitores sobre os grandes mistérios da existência, dedicou décadas de pesquisa, teórica e de campo, para esclarecer os efeitos de um dos fenômenos mais comuns da natureza: O não de uma mulher.

Por quê as mulheres dizem não permanece um mistério que certamente, dentro de mais algumas décadas será explicado, embora existindo um sem número de teorias a respeito.

Entretanto, o que conseguimos definir com clareza é o que esse não produz nos, é claro, homens que desgraçadamente ouviram essa singela palavra.

A observação acurada nos permitiu classificar em três grandes grupos o universo masculino que foi submetido ao não de uma mulher.

O primeiro grupo é o dos que se prostram. Mal o sujeito ouve o não, imerge nos recônditos da baixa auto estima, torna-se frequentador de bares de pior qualidade e passa a ser visto embriado de bebidas ruins, sujo, desgrenhado e desempregado.

Esta é uma categoria masculina destinada ao falso sofrimento por amor, porque acredita que estar apaixonada. Aliás, os membros deste grupo fazem da paixão um ato de vontade, escolhem e decidem se apaixonar… e se apaixonam.

Quando recebem o impiedoso não, se lhes desaba o mundo e a razão de viver.

É um grupo trágico, destinado ao eterno fracasso amoroso, porém com alta capacidade de resiliência, em seis ou sete meses estão recuperados da paixão perdida e, prontos para outra, voltam a repetir o mesmo e trágico destino.

O segundo grupo é o do homem que, quando a mulher lhe diz não, ouve outra coisa, bem diferente. Ela diz não e ele escuta prova que você é homem suficiente para mim, ou então, trata de me conquistar, ou ainda, vem à luta, briga pelo meu amor.

E é o que ele faz. Ela disse não? Ah é? Então vou mostrar com quem ela está lidando. E não desiste, insiste, persegue, assedia, vai do romantismo piegas de enviar buquês de violetas e amores-perfeitos com cartão dizendo: Nas flores misturadas busco teus cheiros, até atitudes mais contundentes como esperá-la na saída do trabalho com uma limonise e motorista à rigor, não aceita recusa e a conduz para o topo do edifício mais alto da cidade onde, no terraço, está posto o melhor serviço de restaurante, com garçons e ciganos tocando violinos.

Os membros deste grupo costumam se dar bem ou se dar mal. Quando se dão bem, logo que transformam o não da mulher desejada em sim, aproveitam e partem para outra. Quando se dão mal, esquecem o assunto e ficam à espreita, esperando a próxima.

O terceiro grupo pode ser denominado de ‘Não estou nem aí”. Seus membro estão habituados ao não de uma mulher. Funcionam como armas de fogo giratórias, atirando para todos os lados e sabendo que ao não de nove mulheres corresponderá o sim de uma e assim seguem na vida, sem pudor e sem temor.

Quando, na hora do balanço final da existência, fazem o levantamento das perdas e ganhos, concluem que se deram muito bem pois só contabilizam os ‘sim’ e desprezam totalmente os ‘não’.

Intransigente com a ciência, omite-se esta coluna de considerações de natureza moral e ética, pedindo atenção aos estudantes para que se atenham aos dados fornecidos, sem considerações supérfluas, desnecessárias e quase sempre equivocadas, sobre a qualidade da conduta dos membros de cada um dos grupos.

Uma penúltima observação compete ser feita, embora sem fundamentação científica suficiente e apenas como estímulo intelectual ao leitor minimamente interessado.

Ao perguntar-se, o pesquisador: –  Por que as mulheres dizem não? Ocorre-lhe uma resposta deveras simples, mas que parece conter boa parte do significado da resposta, além de servir como um bálsamo para vicissitudes inerentes: – Porque sim.

Uma última consideração a ser feita, para que não se confundam as coisas nem se atribua ao autor coisas que não lhe são atribuíveis:

Este pesquisador não se insere em nenhuma das classificações aqui expostas, pertencendo a uma outra categoria que, é bom enfatizar, não faz parte do estudo aqui exposto.

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