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18/01/2016 / Paulo Wainberg

Pequeno conto infantil

Minha atual amante, mais atual realmente, gosta de me surpreender entrando em meu quarto por frestas no teto e, descendo pela parede, corre pelo chão e só quando está quase sob a cama é que assume sua forma de mulher.

É uma bruxa, é claro, porém poder de transformar-se em barata é seu único dom, o único feitiço que lhe é permitido fazer.

E ela usa e abusa.

Devido a ela não consigo mais matar baratas, um dos meus grandes prazeres, com medo de ser ela a esmagada da vez. Meu quarto está virando um parque de diversões para baratas e nunca sei se ela é uma delas, a me espionar com minhas outras amantes.

Como mulher, ela nem é grande coisa, bonitinha, corpo bem feito, uma trepada gostosa.

O problema é que elas me acham bom de cama. Dizem que quando as toco levam choques de prazer e quando as penetro, sentem-se realmente penetradas, como nunca antes. E além disto tenho uma coisa que elas não definem, mas as deixa enlouquecidas.

Por isto elas sempre voltam, para foder comigo.

Sinceramente, nem sei o que seria tal coisa, sei é que quando meto, meto para valer, com força e com vontade.

Vai ver, é isto.

Minha baratinha (é como a chamo), ouviu falar de mim e não descansou enquanto não se meteu na minha cama para provar as delícias que tantas e tantas já provaram.

Elas não querem outra coisa comigo. Fodem, vão embora, dias após voltam, até que as voltas se demoram e mais e mais, elas somem para cuidar das próprias vidas e eu não me importo porque meu estoque está sempre cheio.

Apenas uma fez diferente, veio a primeira vez e não voltou.

Fiquei, é claro, intrigado e enquanto os dias passavam e ela não vinha, mais queria que viesse, até que fui atrás dela, eis que ela me dera seu endereço.

Desci ao subsolo e percorri os esgotos, desviando de alguns bandos famintos e de uns grandões capazes de mastigar um queijo suíço de uma só vez.

Entrei pelo cano da privada do banheiro dela (senti o odor pouco agradável) e deslizei, sorrateiro rumo à sua cama.

Ela percebeu o movimento olhou para mim e deu um grito de horror.

Apressei-me em tomar minha forma humana e ela me reconheceu.

Não negou-se ao prazer e fodemos como nunca, naquela noite.

Sim, eu sei, este é o único poder que me é concedido e faço bom uso dele.

Desde então tem sido assim.

Só quando a baratinha apareceu na minha vida é que fui entender, por analogia, o que a outra havia me dito, quando me revelei à ela: Que desde então, nunca mais conseguira matar um ratos e, de um modo surpreendente, estava inclusive perdendo o nojo.

 

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