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30/11/2015 / Paulo Wainberg

Pensemos

A grande revelação de Anna Arhendt após assistir ao julgamento de Eichmann, que denominou de a banalização do mal, foi perceber que pessoas absolutamente normais e medíocres são capazes de praticar atos de horror e atrocidades bárbaras com singela rotina, incapazes de pensar e, por temperamento e limitação, apenas cumpridoras de tarefas.

Eichmann enviou milhões de judeus em trens para campos de extermínio nazista com a mesma tranquila eficiência de um diretor de logística de uma fábrica de refrigerantes, distribuindo seu produtos para os respectivos destinos, em caminhões.

Ele declarou, no julgamento, que jamais fez mal a algum judeu, apenas cumpriu as ordens recebidas e organizou o esquema logístico necessário para executá-las.

Anna percebeu que Eichmann só estava preocupado em organizar roteiros, números de vagões, horários, conexões e transbordos sendo irrelevante para ele a carga transportada.

O que ela não conseguiu entender – e é indispensável considerar a época e as circunstâncias em que escreveu – é que o Holocausto não era apenas uma questão filosófica, um assunto ‘do pensamento’, pois o componente emocional da tragédia, no limite da suportabilidade humana era (e é) o fator dominante nesse tema.

Ao acusar as lideranças judaicas de, por omissão, terem colaborado com o nazismo, ofendeu judeus do mundo inteiro, perdeu amigos íntimos e tornou-se pessoa non grata, uma judia que repudiava os judeus, coisa que na verdade nunca fez.

Sua grandeza foi não ter cedido e, até o fim da vida, com eloquência e dignidade, tratar a temática do mal como ele pode, filosoficamente, ser tratado, o movimento humano para o banal, para o comum e derivado sempre do Poder.

Nos dias atuais o mal está mais banalizado do que nunca. Desde os atos de corrupção que o Brasil, estarrecido, assiste, até as ações terroristas que o planeta, estarrecido, assiste e sofre com os atentados.

Se Anna estivesse viva, certamente veria sua tese comprovada mais uma vez, pois o mesmo fanatismo insano de Hitler (e de Stálin, Pinochet e tantos outros ditadores deste mundo) é o que domina a mente dos líderes terroristas que enviam pessoas comuns, cumpridoras de ordens e incapazes de ‘pensar’ (no lato senso da palavra) ao assassinato em massa através do suicídio.

Qualquer ‘mártir’ terrorista, se fosse capaz de pensar, não se explodiria entre centenas de pessoas nem mataria a tiros, indiscriminadamente.

Por trás de cada atentado ha um Eichmann medíocre, porém com boa capacidade de organização e logística, planejando e fazendo executar o ‘carregamento’.

Anna dizia que o mal não tem limites, mas não é radical. E que o bem não tem limites, mas sim, o bem é radical.

Pensemos.

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