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21/10/2015 / Paulo Wainberg

Nova resenha de UNHAS

RESENHAS

Unhas, de Paulo Wainberg

01/24/2011TAIZE ODELLIAUTORES GAÚCHOS,LEYA,LITERATURA BRASILEIRA,PAULO WAINBERG,RESENHA,ROMANCE POLICIAL,UNHAS1 COMMENT

Qual é a verdade por trás da humanidade, o real sentido de estarmos vivo? A resposta para essa pergunta, segundo Unhas, é o prazer. Fazer o que lhe dá mais vontade, o que mais o satisfaz. Seja comer, transar, ou brincar de assassino profissional com vezes de estuprador. Unhas é o romance policial de Paulo Wainberg, publicado ano passado pela editora Leya, um livro sobre a descoberta de um homem de vida monótona e regrada de que está na natureza da humanidade, e até de Deus, quebrar as suas hipócritas regras sociais para satisfazer seus maiores desejos.

Unhas é o apelido adotado por um contador quarentão, casado e pai de dois filhos que em certo dia decide abandonar sua família e começar um projeto que surgiu durante uma conversa com um estranho. Ele torna-se assassino por aluguel, ou como prefere, “exterminador de paixões proibidas”. Romances tórridos que por algum motivo atormentam homens apaixonados que escolhem eliminar de vez por todas as fontes desses problemas. Seus clientes são apenas do sexo masculino. As mulheres, para Unhas, conseguem lidar melhor com esse tipo de relacionamento obsessivo que atrapalha o curso tranqüilo da vida.

Paulo Wainberg inicia Unhas narrando o drama de uma das vítimas de seu protagonista, confusa por acordar presa e amordaçada em um lugar estranho, ouvindo um homem falar sem parar. Esse homem é seu futuro assassino, se vangloriando pelo seu trabalho, relembrando o início de sua nova vida, a vida em que o prazer do crime o satisfaz como pessoa. Unhas continua regrado, metódico, mas dessa vez para manter ocultos os seus crimes. Age como o assassino perfeito. Wainberg faz capítulos curtos, muitos ocupados por extensos monólogos de Unhas direcionados à jovem adolescente que treme apavorada pelo que irá lhe acontecer.

Paralelo à história de Unhas, Wainberg ainda narra um caso policial que inspira seu protagonista em seus trabalhos, uma história retirada de um romance policial americano antigo, que destoa do resto do livro. Narrado em terceira pessoa, muitas vezes parece que não existe, na verdade, alguém contando essa história além do próprio Unhas, que mostra todos os seus passos para justificar sua escolha perante a ética, moral e religião. A conclusão de toda essa reflexão é que o mundo é um lugar sádico, em constante tormenta, pervertido e luxurioso, e não há problema algum em querer satisfazer seus desejos enquanto toda a humanidade, afundada em mentiras, faz o mesmo. Se diz esclarecido e liberto dos laços da sociedade, tão feliz e satisfeito por seu trabalho que eliminaria pessoas pelo simples prazer que isso lhe dá, sem precisar de dinheiro algum.

Os casos de amor obsessivos criados por Wainberg chocam o leitor pelas perversões consentidas que apresenta. Incesto, pedofilia, chantagem, relações que atraem a atenção por serem horrendas, proibidas, anormais. E por isso interessantes de serem escancaradas e ouvidas pelas palavras do protagonista. Afinal, “o que não é aberração e perversão na natureza?”, pergunta ele à sua vítima em certa altura do romance. Por que ele deveria refrear sua vontade de matar se nem esses comportamentos imorais lhe produzem asco? No máximo, age com cautela para não ser pego e poder prolongar ainda mais sua sensação de prazer.

Unhas é um bom livro por diversos motivos: um romance policial que mantém a dose exata de mistério para manter o leitor curioso; narração de casos intensos e das mais diversas maneiras proibidos pela sociedade; boa escrita de Wainberg, sem erros e clara. Mas coloco como motivo principal os vários parágrafos de ponderação do protagonista sobre a natureza de seus atos, dos anseios da sociedade, da falta de certeza que existe na vida. Material não para concordar com o protagonista, mas para questioná-lo, convencê-lo do contrário. Afinal, sem as regras sociais que nos guiam para a boa e recatada vida, mesmo quando os dois lados consentem para o pecado, os casos de paixões intensas e proibidas que pinta não seriam tão interessantes de se ler.

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