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05/10/2015 / Paulo Wainberg

Memórias

Corri tanto para chegar em primeiro que deu nisso que deu: Eu.

Só de pensar em correr e caminhar o cansaço me toma conta, é a memória daquela correria alucinada que me fez tão preguiçoso.

Fico imaginando se o segundo lugar tivesse ganho a corrida, que tipo de pessoa seria? Mas não perco muito tempo pensando nisto, agora é tarde, estou muito grande para voltar às origens e, no último milésimo de milímetro, deixar o segundo passar.

Estranho, não lembro de ter ficado ofegante, acho que minha condição aeróbica era, então, bem superior a de hoje, nem de sentir dor em qualquer parte de mim ou de minha cauda que, isto eu sei, era longa e agitada.

Também não recordo do que aconteceu quando atingi o ponto da vitória, não havia multidões aplaudindo, câmeras de TV e nenhum troféu ou medalha.

Apenas cheguei e pronto, tudo se apagou.

Não é justo.

Vai ver é por isto que deu nisso que deu, um sujeito injustiçado, revoltado e preguiçoso.

Se o segundo tivesse ganho talvez eu fosse, hoje, uma mulher e estaria reclamando dos meus cabelos. Como saber?

Se era melhor antes? Muito melhor, mas muito melhor, eu acho porque também não recordo de antes.

Mas tinha que ser melhor, afinal quem não sofre devido ao paraíso perdido?

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