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11/09/2015 / Paulo Wainberg

Eu acredito em TPM

Dizem que pessoas que possuem membros amputados de forma violenta continuam sentindo dores como esses membros ainda existissem.

O indivíduo perde uma perna e continua sentindo dores na perna perdida.

Parece que se trata de uma extensão nervosa, o cérebro – esse tolo – continua registrando sensações por simples memória e demora a perceber que ali onde antes havia uma perna existe agora um vazio.

Esse tema me conduz, evidentemente, à questão da tensão pré-menstrual, a popularíssima TPM, mal que aflige as mulheres em períodos variáveis imediatamente anteriores à menstruação.

As mulheres reagem de forma distinta durante a TPM, mas uma coisa é certa, elas saem da normalidade, isto é, as neuroses extrapolam, aritmeticamente, geometricamente e até imensuravelmente até que menstruam e retornam a sua habitual doçura, suavidade, alegria e controle neurótico.

É possível concluir que nenhuma mulher, durante a TPM, é normal ou, no mínimo, está no seu próprio e particular estado de normalidade.

O corpo humano é maravilhoso e, sem qualquer tipo de discriminação, ouso dizer que o corpo feminino é uma obra prima da arte, da beleza e de concepção ontológica, isto, justificativa da finalidade da existência.

Nas internas, entretanto, o corpo humano tem lá suas idiossincrasias, canais purgativos, coisas gosmentas, uma nojeira total, seja masculino, seja feminino.

Do ponto de vista biológico – coisa que me fascina desde que eu esteja adequadamente distante – a partir de determinada idade, a parte interna do corpo feminino para de produzir aquelas coisas gosmentas que, em forma de sangue, jorram durante a menstruação.

Isto é, as mulheres param de menstruar e entram num período, não menos traumático, denominado menopausa que se expressa por depressões de variadas intensidades, irritabilidades irracionais e outras manifestações, algumas absolutamente incompreensíveis para um cérebro masculino mediano como, por exemplo, o meu.

Os hormônios, depois do bate-boca, finalmente começam a falar a mesma língua e se harmonizam, colocando a menopausa no seu devido lugar, que é lá no subúrbio psíquico, na lixeira do windows, para falar em português claro.

Para felicidade das mulheres e um pouco de paz para os homens, parece que tudo se resolveu e a vida pode seguir seu rumo com dissabores externos, como é, consigne-se, viver.

Pois a conclusão lógica para a equação é: Terminados os ciclos menstruais, desaparece a Tensão Pré-Menstrual.

Mas não.

Assim como o sujeito que perde a perna e continua sentindo dores nela, a mulher que perde a menstruação continua a sentir a TPM exatamente nos dias que costumava sentir que antecipavam a menstruação.

E, ai de mim, ao contrário da dor na perna amputada que, com o tempo some, a TPM persiste até o fim dos dias. Sempre, até o último suspiro, a TPM atacará as mulheres exatamente nos dias em que sempre atacou.

Isto ocorre porque os sistemas nervoso, linfático, ovariano, uterino e outros que minha ignorância médica não identificam, continuam trabalhando como se mudança não houvesse e a psiquê feminina recusa abandonar seus privilégios, não esquece a injúria e não perdoa a desfeita.

É por isto meus amigos homens que suas mulheres, em determinados dias do mês, vão incomodar, cobrar, reclamar e acusar além do que fazem normalmente, elas estão em plena TPM regressiva (e nem percebem) e você, que há anos não pensa nisto, ignora os motivos.

Portanto agora vocês já sabem. Se a crise doméstica for mais grave do que é normalmente, quando você não levanta a tampa da privada, é TPM. Se você for mais inútil e preguiçoso do que normalmente é, é TPM e assim por diante e para sempre.

Termino estas considerações com um conselho: Pergunte, como não quer nada, se sua mulher lembra os dias de sua antiga menstruação. Ela, é claro, lembra, pois elas nada esquecem.

Aí sua vida ficará fácil. Faça o cálculo da TPM dela e, durante esse período, viaje. Se não puder, limite-se a concordar.

E jamais fale nisso!

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