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06/03/2015 / Paulo Wainberg

Paixão, sempre ela

As luzes da minha cidade ficam escuras, quando não estás.

A brisa transforma-se em ventania, a ventania em vendaval e trovões, enfeitados de raios, desabam sobre mim, que te espero.

Os lagos secam e os rios transformam-se em piche e óleo amargo, as folhas perdem o viço, as árvores curvam e as pessoas perdem o rosto, porque não estás e não sei quando voltarás.

Meu corpo tremula e meu olhar fica opaco, poucos são os confortos que sobram a me acariciar, porque foste embora sem dizer nem mesmo o dia da tua volta e, mesmo que seja apenas um dia, será a eternidade doentia, calculando cada segundo dos meus minutos.

Por que tinhas que partir e com quem te foste?

Minha emoção carcomida de ausência transforma a tristeza no bálsamo para a estranha dor, o invólucro que me consome.

As ruas da minha cidade são becos sem saída, desde que partiste.

Roo minhas unhas sujas de poeira, aquela poeira, a poeira dos tempos, infinita e cruel, que me amarga e, lá no finzinho, me trucida.

Sei que partiste e não sei se voltarás.

E a paixão que me deixaste é um paralelepípedo cravado no meu peito, empurrando tudo para os lados e o coração para trás, curvando e encurvando, até que nada mais vejo do que o ladrilho do banheiro do meu quarto.

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