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04/03/2015 / Paulo Wainberg

A Nova Direita

Os doze anos de governo do PT, apesar de terem promovido inegáveis avanços nas áreas sociais e de algum protagonismo beneficiado pelo crescimento do comércio de comodities até 2010, foram irremediavelmente conspurcados pela corrupção, institucional, partidária e individual que dominaram sua gestão.

Aqueles que são acusados de odiarem o PT são os desiludidos, os que se sentiram enganados, os que acreditaram que finalmente, neste País de eternas falcatruas, havia surgido um partido político formado por políticos idealistas, preocupados com o bem comum, capazes de implantar uma nova política limpa, isenta de acordos e arranjos espúrios, capazes de governar com a ética acima de tudo, para todos os brasileiros.

Falhou o PT e como disse um dos seus mais expressivos representantes, os ex governador do RGS, Olívio Dutra, caiu na vala comum dos demais partidos, com seus integrantes mais preocupados na obtenção das vantagens e lucros pessoais do que cumprir com os ideais partidários.

Por isto o anti-petismo está chegando ao paroxismo, com a descrença total em toda e qualquer afirmação, promessa ou informação petista, hoje nas figuras de Dilma Roussef e Lula.

E não é para menos. Nunca antes na história deste País, figuras tão expressivas de um partido governista foram julgados condenados e presos por corrupção. Nada mais, nada menos do que Genuíno, Delúbio e Dirceu, dirigentes do partido e detentores de mandatos parlamentares, isto entre outros e outras, como os episódios de dinheiro em malas e cuecas, subornos gravados, falcatruas bancárias para arrecadação de dinheiro para o partido e, agora, o multi escandaloso caso da Petrobrás. Tudo isto e as coligações espúrias que identificaram a governância levaram à onda de repúdio atual.

Em doze anos de governo, o PT destruiu a ideologia e é isto que não suportam os seus atuais odiadores.

O que preocupa, entretanto, não é isto, apenas.

Desde que surgiu, o PT teve os seus odiadores. Eram os da extrema direita ou, apenas da direita, os ruralistas, latifundiários, as grandes fortunas, a classe média alta, organizações apolíticas de fins duvidosos, pessoas e entidades que, por definição, origem e formação, jamais poderiam aceitar um partido com a proposta petista da ética na política.

O que preocupa mesmo é o surgimento de uma ‘nova direita’, que une a direita autêntica e os que, não sendo de direita, falam e agem como se fossem, engrossando assim uma massa fascista que chega ao absurdo de propugnar, em muitos e expressivos setores, pela volta de uma ditadura militar.

Esta nova direita, que não é um bloco ideológico e sim o resultado de uma adesão dos que não suportam mais o engodo e a mentira grassando pelos Três Poderes da República, inclusive no Judiciário, acabam aderindo ao discurso da direita original, servindo a ela e aos seus propósitos, perigosamente e com resultados pior do que imprevisíveis, isto é, totalmente previsíveis.

Quando se fala em impeachment da presidente, está a nova direita falando em mudança de rumo, em fim da mentira, em fim da promessa vã e não cumprida. Mas está-se também falando em expurgo do congresso, sem o qual o caminho é o da ditadura, com todos os seus horrores.

Enquanto isto o governo, o congresso e o judiciário continuam agindo como se estivessem numa ilha cercada de altíssima segurança, onde nada entra e o que sai é apenas para auto-benefício, para a vantagem pessoal e corporativa, basta ver-se os aumentos de salários, vantagens e benefícios enquanto o discurso oficial fala em sobriedade, contenção e, como uma contradição deliberada, em desenvolvimento social.

Aguardo dias terríveis pela frente.

Neste momento, só vejo uma saída capaz de calar a nova direita, acalmar a direita tradicional e colocar o país no rumo, ou melhor, no prumo, repondo o equilíbrio entre as forças e salvando nossa democracia.

A Presidente Dilma deve renunciar. Logo. Já. O Vice-Presidente deve assumir e imediatamente convocar uma Assembléia Nacional Constituinte, com a missão de, rapidamente, elaborar uma nova Constituição, mais simples, mais racional, menos abrangente que, seria o ideal dos ideais, institua no Brasil o regime parlamentarista.

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