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02/02/2015 / Paulo Wainberg

Fevereiro chegou

Fevereiro chegou, com um ano de atraso mas chegou. É o mês mais estranho de todos, leva quatro anos para conseguir vinte e nove dias e, quando consegue adianta todos os feriados futuros do ano, sonegando-nos pelo menos um dia de repouso absoluto e isto quando não adianta o feriado para o fim de semana.

Quase sempre é o mês do carnaval, assim que podemos chamá-lo do mês das falsas ilusões e mesmo assim perdidas, ou o mês das fantasias, ou o mês das liberações enrustidas, ou o mês das alegrias forçadas, dos palhaços de ocasião, dos porres monumentais, das traições e o mês das quartas-feiras de cinzas.

É o mês da tristeza.

É o início do fim do verão, o recomeço das aulas e do trabalho a valer, sem mais desculpas, sem mais adiamentos.

Gosto dos fevereiros da vida, quando os amores nascem e morrem como mariposas na manhã seguinte, quando os pés alegres do samba reaparecem suados e sujos ao fim da refrega, quando os corpos se esvaem em translúcidas libações e quando os solitários se escondem e choram sozinhos, ao ritmo do tamborim.

Fevereiro é o mês de esticar desesperadamente a folia para que a realidade não nos estraçalhe, não nos remeta à comunidade do dia-a-dia e ao re-encontro cada um por si.

Sim, fevereiro chegou com um ano de atraso e vai levar mais um ano para chegar de novo, propondo a longa espera para chegar lá ainda mais uma vez.

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