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26/01/2015 / Paulo Wainberg

Tudo para concluir que

Considere que algumas palavras são como dogmas, isto é, verdades absolutas que não precisam ser demonstradas. Porque o dogma é produto da fé absoluta.

Sagrado é uma dessas palavras, você fala no sagrado direito dos trabalhadores e não se discute mais, os trabalhadores têm direitos por força de uma sagração que os próprios trabalhadores promoveram.

Experimente alterar algum desses sagrados direito dos trabalhadores e cairão sobre você as tempestades celestiais fabricadas nos sindicatos e na justiça do trabalho.

A imprensa livre é sagrada, quer dizer, ai de quem criticá-la. Coisa que mais ouço de jornalistas é que ‘sempre sobra para a imprensa’ que, graças ao sacro direito, está acima da crítica e da inconformidade.

O sagrado direito à liberdade é outro desses míticos direitos imutáveis e, dependendo de que lado você está, defenderá a liberdade de uns contra a liberdade de outros e, porque a vida é meio prática, isto é, um pouco mais real do que abstrata, esquecerá que a liberdade dos outros também é sagrada.

Sendo o sagrado um dogma, resulta que nada mais se discute quando o adjetivo aparece para defender ou proibir alguma coisa.

Para mim, que ainda acho que tudo é relativo, a única coisa sagrada que temos na vida é o direito de morrer. E chamo de sagrado por se tratar, na verdade, no único direito natural que as coisas vivas possuem, o direito a morte.

Todo o resto é artificial, construído pela inteligência humana, mutável conforme as circunstâncias, a época e aos interesses.

Por exemplo, era sagrado o direito de ter escravos, até que deixou de ser.

Nesse plano real que é estar vivo (e falo de animais, vegetais e minerais), tudo o que se modifica resulta da inteligência humana, nada decorre de um sagrado direito natural.

Nem mesmo a própria inteligência é um direito, muito menos sagrado, é apenas uma aberração no mundo real dos seres vivos.

É tão aberrante que nós, portadores dessa trágica deformidade, nos achamos no direito de enfrentar, discutir e modificar a Natureza e por isto e com efeito, quase sempre nos damos mal.

Excluindo a aberração da inteligência, todo o resto do reino dos vivos se resume aos instintos que nossa inteligência define, mas que na verdade não sabemos quais e o que eles são.

O mundo natural funciona como um jogo de ação e reação, a leoa dá a luz aos leõezinhos e os protege até certa idade que eles não sabem qual é.

O canguru tem uma bolsa para carregar o filhote até que ele pula fora e mãe e filho esquecem o parentesco.

Bicho se afogando quer respirar e colibris transando são velozes como um raio que, por sinal, é consequência de fenômenos da eletricidade que, por sinal, não sabemos até hoje o que é.

Portanto, quando os sagrados direitos do homem forem invocados, lembrem-se exatamente de quem somos, porque nossa aberrante inteligência produziu a televisão para mostrar, ao vivo, homens serem mortos em série por outros homens, tudo em nome do sagrado nome de algum deus ou profeta.

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