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15/01/2015 / Paulo Wainberg

Poema da esperança

 

Nas mil noites vazias ela vira, revira,

Caminha no quarto, sozinha.

Vai à janela, pobre dela, vê

O movimento lá fora,

E, de hora em hora,

Chora.

 

Nas mil noites vazias ela repete

O drama.

Toma leite na cozinha,

Sozinha,

E dorme sem emoção,

Olhando televisão,

Sentada no sofá-cama.

 

Nas mil noites vazias da moça

A Lua cheia insiste,

A cada noite mais triste

Sumindo na escuridão

E de novo remoça,

E de novo, desiste.

 

Durante o dia ela corre

Em busca da solidão

De outra noite vazia

Quando aos poucos morre

De tanta dor no coração.

 

Vara desertos vazios,

Geme na noite,

De frio.

Pobre moça, pobres dias,

Em mil noites vazias.

 

O que tirou de sua boca

O sorriso gentil?

Quem machucou essa louca?

Que mãos tocaram suas coxas?

Quais lábios beijaram seus seios?

 

Não sei.

 

Agora falando sério,

E para findar o mistério,

Eu sei, eu tenho certeza,

De porque ficou assim.

Triste, sozinha, sem rumo,

Ela pode achar o rumo,

Basta sair de si mesma

E voltar correndo pra mim.

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