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09/01/2015 / Paulo Wainberg

Como pegar mulher

Quando me aproximo de uma mulher com intenções sérias de levá-la para a cama, logo declaro: Aviso que sou ciumento. As respostas que obtive foram minoria diante das respostas que não tive: E eu com isso? Levou uns chifres? Vai te catar! Corno! Biltre!

Nenhum sucesso. Acho que as mulheres não me compreendem. Quando digo que sou ciumento, está implícito aquilo que considero um elogio irresistível, estou declarando nas entrelinhas ou subliminarmente, que ela é tão linda, que deve ter dezenas de admiradores e que eu a quero só para mim.

E elas não entendem, me ignoram, desprezam, sequer um sorriso complacente.

Diante do drama, passei a ensaiar frases iniciais e pensar em seus efeitos, antes de aplicá-las.

Assim, olhando ao redor em busca de uma mulher merecedora das minhas boas intenções, pensei: “Eu sou o genro que sua mãe sempre desejou”.

Não, é uma frase um pouco presunçosa, vamos que ela me pergunte como sei o que a mãe dela deseja, como é que fico? E se ela não tiver mãe?

“Qual o seu motel preferido?”. Ousada, sim, ousada, mulheres gostam de ousadia, mas essa aí, para iniciar a conversa, soou aos meus ouvidos como um excesso, e se a moça nem conhecer um motel, ou não gostar de nenhum, ou gostar de mais de um?

Aliás usei essa abordagem uma vez e a resposta foi, qualquer um em que você não esteja.

“Que coisa essa roubalheira no Brasil, hein?”. Coisa intelectual, mostro logo de cara que sou um intelectual preocupado com a situação nacional. Mas… E se ela não for desse tipo? Se ela for uma daquelas mulheres fúteis que só pensam na altura do salto e qual geleia vai comer no café da manhã? Não, muito arriscada.

“Você me daria a honra desta dança?”. Mostrando educação e cavalheirismo, hábitos que os homens atuais não cultivam.  Não. Hoje não se dança mais com honra, a dança é um esporte aeróbico-espírita, isto é, baixa a entidade na dama e ela sai pulando como numa sessão de candomblé.

“Vamos transar?”. Assim, direto, sem meias palavras, mostrando que sou um homem decidido, de poucas palavras e muita ação, aguçando nela o espírito da insolência e transgressão, imaginando transar bem ali atrás daquela cortina.

Também não, não faria isto, seria uma indelicadeza, seria como chamar a mulher das minhas intenções sérias de vulgar, dadeira, galinha, periga até se ofender.

E assim, durante meses refleti, ponderei, cogitei e analisei as possibilidades para pegar a mulher a quem eu quisesse demonstrar minhas intenções serias de levá-la para cama.

Hoje, ao acordar, a epifania, a revelação, para esta abordagem não tem saída, ela vai ter que responder e, respondendo, o primeiro centímetro do caminho estará percorrido.

Quando, nesta noite, escolher a mulher a pegar, iniciarei a conversa assim- Duvido você adivinhar a minha idade.

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