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10/12/2014 / Paulo Wainberg

Conto erótico

TESÃO CULPADA

Eu tinha quarenta e quatro anos na festa dos quinze dela. Quando chegou minha vez de dançar a valsa, ela foi além do que, desde os doze fazia, e grudou seu corpo no meu.

Gostei. Até então eram pequenos indícios, seduções ocasionais que ela, para me provocar, gostava de fazer: olhares mais longos, abraços apertados, segurando minha mão sem motivo e, sempre que podia, encostando suas coxas nas minhas.

Agora, agarradinhos, enfiando minha perna no meio das dela e friccionando-lhe a buceta, não tive nenhum escrúpulo e deixei que ela sentisse meu pau duro abrindo espaço entre  minha bragueta e as tules e rendas do vestido virginal que ela usava.

Quando ela botou a mão no meu pescoço e apertou, só não me acabei porque fiquei preocupado com os outros, entre eles minha mulher, meus dois filhos e os pais dela, meus amigos.

Quando a valsa terminou – era o Danúbio Azul, tenho certeza – ela me deu um beijinho na face, como se nada tivesse acontecido, e foi-se com as amigas, deixando-me abalado e com o grave problema de esconder, com as mãos no bolso, o meu pau duro.

Voltei à minha mesa e sentei, tratando de acalmar a respiração, coisa que consegui graças ao abatimento moral que desabou.

Como é que eu podia fazer aquilo com Cecília, a quem vi nascer? Lembrei dela ainda bebê, depois crescendo, no colégio, em todos os aniversários, como eu pude me esfregar na filha dos meus amigos? Que tipo de pessoa eu era, um velho de mais de quarenta, se aproveitando de uma criança de quinze anos?

– Pedófilo! Acusei-me. – Tarado, sem-vergonha, aborto da natureza!

Carreguei a culpa e o remorso até o final da festa o que, no entanto, não me impediu de bater uma senhora punheta, no banheiro.

É como dizem os sábios, tesão e remorso não se excluem…

Os anos passaram e, além das ocasionais fustigadas mútuas, nada aconteceu.

Certa vez, por exemplo, ela estava olhando as filhas brincando, eu me aproximei e coloquei a mão no ombro dela.

Casualmente, como quem não quer nada, usando da intimidade que a relação permitia.

Ela pegou minha mão e puxou até o início do contorno do seio, e apertou. Eu fiquei ali, o pau endurecendo de novo, e fazendo um esforço insano para não baixar de vez a mão e pegar-lhe o seio inteiro. Uma das filhas começou a chorar, ela me soltou e eu sentei imediatamente, para esconder a ereção.

Ao longo do tempo, fantasiar com ela e bater punheta no chuveiro foi um dos meus prazeres favoritos.

Fazia fantasias incríveis: Ela, de biquini, eu chego por trás, as duas mãos na cintura e ela se encosta toda, a bunda arrebitada rebolando no meu pau, eu enfio a mão por dentro do biquini, ela se vira cheia de tesão e… lá vinha a acabada, inundando de porra o piso do banheiro. Ou: Eu chegava na casa dela, que estava sozinha, do shorts, descalça, uma blusa e sem sutiã. Sento no sofá e, com tapinhas, convido para sentar ao meu lado. Ela vem e enfio minha mão entre as pernas dela, ela entreabre e depois aperta. Nossos olhos se cruzem, ela está com a boca aberta e beijo-lhe os lábios, as línguas se cruzam e… a acabada.

Foi assim, durante anos.

Hoje ela é uma bela mulher de quarenta anos e eu, chegando aos setenta.

Há muito tinha me conformado e me consolado. Conformado com a idéia de que jamais iria comer Cecília. E consolado porque não traí a amizade de meus amigos, a confiança da minha mulher e de meus filhos.

Porém, sábado passado, eu estava sozinho em casa, quando tocaram a campainha. Abri a porta e lá estava Cecília, linda como sempre, carregando um pacote.

– Oi, que surpresa, entra, entra.

– Não, é rápido, só vim trazer este pacote que me pediram para entregar.

– Tudo bem, mas entra um pouco, vamos tomar um café.

Ela entrou. Pela primeira vez, naqueles anos todos, ela e eu estávamos sozinhos.

Meu coração pulava e minhas mãos tremiam. Senti a tesão crescer, aumentar, tomar conta de mim como se fosse um demônio. Ela caminhou a minha frente e não resisti. Peguei-a pela cintura e puxei seu corpo para trás.

Eu não distinguia mais o que estava sentindo, mas o medo era gritante, sobretudo do escândalo que eu achava que ela ia fazer.

Mas não fez. Deixou-se vir e se virou, o rosto bem pertinho do meu. Como na valsa dos quinze anos, ela se encostou toda em mim.

Comi Clarinha na cozinha, de pé e por trás. Ela é toda gostosa, toda macia, aquela foda me deixou trinta anos mais jovem.

Antes de sair de casa, ela me deu o habitual beijo na face e murmurou, com a voz rouca de uma mulher bem comida:

– Por que você demorou tanto?

Neste exato momento faço a mesma pergunta: Por que demorei tanto?

E acho que sei a resposta. Não foi por remorso, culpa ou outra coisa qualquer. Foi por medo. Puro medo de ser descoberto, ser depreciado, ser desmoralizado.

Uma lição eu aprendi, principalmente agora que Cecília e eu não nos tememos mais: O medo é foda.

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