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22/08/2014 / Paulo Wainberg

A musa do Poeta

– Não! – Bradou o poeta após o último gole da garrafa vazia.

Olhou para os lados sem saber se era noite ou era dia.

A mulher maquiada de doer, sequer levantou os olhos da mesa

Enquanto o poeta rabiscava na toalha suja, um poema à sua musa.

– Outra! – Bradou o poeta com o dedo indicador, seus olhos inchados de amargura, bebida e dor.

– Preciso que tu, ó musa, ergas os olhos da mesa e pouse sobre mim o teu olhar sedutor.

Ela ergueu a cara escurecendo a sala com sua feiura, indiferença e tristeza, a perna cruzada e a meia rasgada, justo na altura do joelho.

De um gole só, meia garrafa afogou-se o Poeta e já sem ponta na íngua, desabou da cadeira, estatelado no chão.

A prostitua horrorosa, velha e maquiada de doer, foi até o Poeta, ergueu-o do chão e carinhosa como uma mãe sem filhos, acalentou o bardo com seu perfume barato e as batidas do seu coração.

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