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20/08/2014 / Paulo Wainberg

Em busca da alegria perdida

Cavaleiro das andanças tristes, olhos fixos na crina rala de seu cavalo, ele vaga nas avenidas e ruelas em busca da alegria perdida.

As multidões nada lhe dizem e não se abala nem quando seu cavalo tropeça no paralelepípedo da rua de sua amada.

Montado em pelo, sem cela, olhos fixos nos pés descalços… e sujos, ele vive há décadas, quando sorria e era alegre, nem percebe que seus cabelos caíram e que seu elmo é uma lata de azeite vazia, e quase enferrujada.

A tristeza com a qual galopa, triste cavaleiro das cidades ricas, preenche os momentos do praqzer de sua amada, e nem percebe que sua armadura é um papelão rasgado e que para sua alma não tem cura.

Dorme abraçado ao pescoço de seu cavalo condenado, cujo pelo esfarrapado se esvai, assim como sua alma danada cuja última alegria, há décadas, foi o sorriso de sua amada.

Assim caminha o homem triste, em busca da alegria perdida. Assim caminha o homem findo, em busca do sorriso perdido.

Assim morre o homem triste, enrolado na bandeira do amor perdido e se despede, sem sorrir e sem abrir os olhos desde quando se foi o seu amor perdido.

One Comment

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  1. Paulo Bentancur / Ago 21 2014 8:53

    Com forte poder de sugestão, expressivo, uma mini-epopeia do homem idealizado em desintonia com o homem comum. Escrito numa prosa toma de uma poetização no ritmo e nas imagens. Brilhante!

    Gostar

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