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15/05/2014 / Paulo Wainberg

Quando o artista se mata

Quando o artista se mata eu entendo muito bem, porque há o desejo permanente de morte por trás de cada obra criada.

Desejo de morte pela incapacidade de compreender o Todo e pela capacidade de compreender a fugacidade de sua obra.

Desejo de morte por não suportar o fim do prazer e por jamais atingir o pleno prazer.

O artista, quando se mata, morreu antes, incapaz de suportar a ausência da fama, do sucesso, incapaz de conviver com a fama e o sucesso.

Mata-se por que não suporta mais a ansiedade alheia, o medo de não agradar e, o que é dramaticamente depressivo, a eterna comparação com ele mesmo.

Quando se mata, o artista atingiu a plenitude da ansiedade, do pânico de palavras como gostei e não gostei, de começar tudo de novo após cada obra, o artista se mata porque não compreende e não tolera mais a própria insuficiência.

O suicídio do artista é a confissão pungente de que não acredita mais, nele e em ninguém, na sua obra e na sua alma e que por isto a vida lhe terminou.

Quando o artista se mata é triste, é o carimbo de reconhecimento oficial da dor que a arte lhe causou.

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