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07/05/2014 / Paulo Wainberg

Quando minto

Não gosto de fazer citações, mas não brigo com que faz.

Na essência, citar é produzir prova do que afirmamos. É uma boa prova, mesmo que a frase citada tenha sido produzida noutro complexo, noutro contexto.

Eu, quando preciso, invento a citação – cito a mim mesmo – e invento também o nome do citado, mas isto é por pura modéstia.

Não que eu ache desnecessário provar o que digo, muitas vezes é muito necessário. Porém, no mundo da ficção, a prova compete ao personagem e, sendo ele fictício, que use uma fictícia citação e ficamos todos felizes.

O que me desagrada na realidade é o citador erudito, esse que cita autores e frases apenas para mostrar conhecimento e, também memória fotográfica e capacidade de decorar.

O citador erudito, em geral, não possui palavras próprias e sobrevive das frases alheias. E não se incomoda quando mente e inventa: “As manhãs, como disse Francisco de Ornelas, são fulgurantes e macios despertares”.

E, é claro, inventei a frase e o autor.

Revelei porque me incomodo quando minto.

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