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22/04/2014 / Paulo Wainberg

Cartas literárias

Escritores que falam muito escrevem pouco.

Ao abrir um livro o leitor deve esquecer que existe um mundo lá fora e deve conceder à própria imaginação e expectativa de prazer e liberdade de imergir num universo paralelo, onde o tempo só existe enquanto o livro está aberto e sendo lido.

Escritor que escreve pensando em leitor pode fazer um livro, mas não faz literatura.

A arte é tão absurdamente solitária que o artista não tem amigos, parentes, ninguém. O artista está  sozinho no mundo enquanto cria e, após concluir a obra, percebe que continua sozinho.

A relação espaço-tempo de um livro só existe enquanto ele está sendo lido.

Escritores não têm domínio nem controle, escrevem porque não podem não escrever. Leitores, ao contrário, lêem quando e onde querem e entendem o que estão lendo do seu próprio jeito.

O extraordinário, na literatura, é quando o leitor descobre, no livro, coisas que o autor jamais pensou em dizer.

 

 

Pequena carta literária

Quando escrevo um romance, sou levado à solidão maravilhosa da minha imaginação. Abdico dos prazeres mundanos para frequentar o universo que existe dentro de mim, liberando os medos, conscientes e inconscientes, as perversidades, os amores e tudo o mais que sei que existem e não sei se existem.

Escrever um romance é misturar tudo o que sei e não sei sobre mim, com tudo o que sei sobre a realidade e, com a imaginação, tudo o que não sei sobre a realidade.

Meu pai dizia, quando eu era jovem, que ser escritor é dispor da liberdade total. Na minha arrogância de então, pensava que ele falava em dinheiro, em ganhar a vida. Escrever é um trabalho que pode ser feito em qualquer lugar, a qualquer hora.

Hoje entendo o que meu pai dizia, ele que foi um devorador de livros e que tinha, descobri mais tarde, o sonho de escrever, sonho que deixou de lado pela sua outra paixão, a advocacia que praticou com abnegação e brilhantismo.

Escrever um romance é gozar da liberdade de quem tudo pode, sem limitações externas.

Era dessa liberdade que meu pai falava, a liberdade de criar um novo universo, tão rico e complexo quanto o universo real. A liberdade de ser dono do próprio espírito, de saber que cada palavra posta num papel é um átomo original, capaz de se expandir e florescer, dando vida ao que já vive, movimentando o que já se movimenta, refazendo o que já foi feito.

Quando escrevo um romance, minha vida se duplica, uma no mundo real, do qual mais e mais tento me afastar, outra no mundo só meu que, com alegria e liberdade, uso e me lambuzo, até abandoná-lo com a última frase e seu ponto final, última frase que bem poderia ser: Faça-se a luz.


Terceira (ou quarta, já não sei) carta literária

Afinal, por que escrevo?

Tanto já me fiz esta pergunta e tantos já me fizeram esta pergunta e eu tive respostas variadas, cada vez, nenhuma delas completa, nem mesmo verdadeira.

É que, durante estes anos em que venho escrevendo, nunca achei uma resposta que fosse definitiva, que me esclarecesse por que, afinal, eu escrevo.

Certa vez um contista (de um livro só), respondeu que sentia uma necessidade visceral de escrever, o que para mim soou com uma vontade inadiável de ir ao banheiro.

A resposta dele foi de efeito, para impressionar, ele não tinha a menor ideia de porque escrevia e nem necessidade alguma, tanto que nunca mais escreveu.

Sobre mim, o que posso dizer que acumulo delírios, tantos e tão variados que, de alguma forma eles devem ser expelidos, sob pena de ficar louco.

Posso dizer que escrevo para não enlouquecer.

Mas também posso dizer que escrevo porque sou louco.

Vivo sob o permanente conflito de ser igual a todo o mundo, querer ser igual a todo o mundo, falar do que todos falam, gostar do que todos gostam, e o desejo  absurdo de ficar sozinho, de me isolar da vida e só me comunicar com pessoas quando tiver vontade.

O conflito consiste em submeter-me às exigências sociais e não submeter-me a elas.

Quantas mil vezes estive em festas, desejando ardentemente estar sozinho em casa, escrevendo ou não, ou melhor, escrevendo, porque é isto que eu faço o tempo todo, escrever, mesmo que apenas mentalmente.

O primeiro instrumento forte que encontrei na vida, para abstrair-me da realidade indesejada, foi a leitura. Diziam-me que eu tinha grande poder de concentração, conseguia ler em qualquer ambiente, por mais agitado e barulhento. Não sabiam que era o contrário, eu precisava me concentrar para participar do ambiente externo. A leitura não me exigia nenhum esforço.

Sempre me senti diferente, gostei de coisas diferentes, precisei de coisas de diferentes. Mas nunca me senti melhor do que ninguém, por causa disto, aliás, muitas vezes desejei ser como todo o mundo e não viver, de certa forma, atormentado pelas minhas obstinações diferentes.

As circunstâncias da minha vida, família, amigos, conhecidos, profissão foram comuns, no sentido de serem as mesmas de todos, meus desejos e e minhas ambições, entretanto, eram outras e nem imagino quantas vezes passei por indelicado, indiferente, inconstante, egoísta e, até mesmo irresponsável.

Durante anos, dos doze aos trinta, escrevi solitário, sem nunca mostrar a ninguém, e naqueles textos enormes que eu datilografava ou escrevia em cadernos, eu conseguia ser um pouco de mim mesmo, restando para o mundo exterior, muitas cobranças, exigências e responsabilidades que o meu lado diferente nunca desejaram.

Quando, finalmente, decidi tornar-me um escritor, revelei um pouco desse ser oculto, mas sei que os mais próximos de mim nunca entenderam isso, ou não quiseram ou não estavam interessados em saber.

Todos os meus personagens surgem de um mundo irreal, imaginário, mesmo aqueles da vida real e que, de algum modo, interferem no meu universo paralelo.

Tudo o que escrevo nasce do fenômeno psíquico da memória, seja sobre fatos, seja sobre o que li e ouvi.

Quase sempre adio o quanto posso o início de um romance, porque enquanto a história fulmina meu cérebro como se eu estivesse com quarenta graus, o pânico de iniciar é tão intenso que vou arrumando desculpas, umas mais, outras menos, até explodir diante do computador.

E mesmo assim, enquanto escrevo, é tanta ansiedade, falta de ar, tremores, irritação, devaneios, fugas e prostração.

Há, porém, um momento quase divino, quase porque não acredito em nada que seja divino, um momento sublime explica melhor, em que tudo isso passa e meu mundo fica perfeito, diante de cada letra, de cada minuto e de cada ausência, e é neste momento em que os conflitos se resolvem, porque enquanto ele dura, as exigências externas me respeitam e eu posso ser apenas o ser diferente, que é o que me sustem.

Por que escrevo, afinal?

Aí vai minha resposta definitiva, simples, quase simplória, mas a mais verdadeira que tenho: Porque gosto.

 

 

Segunda carta literária

Escrever não é um ato solitário. Masturbação é um ato solitário. O escritor nunca está só, pois no seu universo interior habitam centenas de pessoas, com suas vidas, milhares de cidades, com suas ruas, incontáveis sentimentos, com suas emoções.

Quando escrevo, sinto-me povoado. Estou sempre escrevendo, mesmo quando não estou digitando. Isto faz de mim um ser que jamais fica sozinho pois, em minha mente, há sempre diálogos que se travam, ações que se executam até mais não poder, até os limites da imaginação.

Posso escrever rodeado de pessoas, assim como posso ler no meio de uma multidão. Meu mundo literário é muito mais intrigante do que a realidade em que vivo. Nesta, quase tudo se repete e é previsível.

Para o escritor, para mim, neste espantoso fenômeno da imaginação, tudo é improvável e inesgotável.

Para o ato solitário da masturbação, basta uma boa fantasia.

 

 

Outra pequena carta literária (quarta ou quinta)

Eu estava, para variar, num engarrafamento. Não lembro o CD que ouvia e estava chovendo. Nessa época (início de 2008) eu trabalhava num romance que ainda não foi publicado e pensava nele, quando uma frase rasgou minha cabeça como se fosse um machado sem fio: “Eu estava sentado na privada, cortando as unhas dos pés, quando faltou luz”.

Não sei o que aconteceu, não consegui pensar noutra coisa, e a frase ficou ribombando em minha mente até chegar em casa, sentar e escrevê-la no computador. E continuei escrevendo, não jantei, não falei com ninguém, não respondi nenhuma pergunta.

Estava possuido e, dessa possessão, nasceu o romance Unhas, lançado em 2010 pela editora Leya.

Durante um bom tempo do trabalho, me senti como um reprodutor, isto é, apenas colocando para fora, palavras que já existiam previamente na minha cabeça.

Lembrei de Beethoven quando perguntado sobre como conseguia compor, surdo. “Eu não preciso ouvir, apenas escrever a música que existe dentro de mim”, foi a resposta dele.

Quando terminei a primeira versão de Unhas, percebi que havia escrito a história de um exterminador de paixões proibidas, personagem que veio à tona não sei como, não sei o por que, o agente catalizador do processo foi a frase sem sentido que me acometeu durante o engarrafamento.

O trabalho, propriamente dito, começou aí, quando a primeira versão estava concluida. Ha muitas diferenças e modificações entre o que escrevi na primeira vez e o que foi publicado, principalmente nas questões da linguagem e composição do andamento do romance. Tantas

Foi um período sofrido em que minha consciência foi exigida sem cessar, durante mais de um ano, até dar a obra concluida e, finalmente, apta a ser enviada para publicação.

A minha experiência de escritor é a única coisa que conheço que me faz admitir a ideia de uma possessão. É como se meus dedos fossem autônomos, sobre o teclado, escrevendo palavras que não me ocorriam escrever.

É assim com quase tudo o que escrevo e, mesmo nas exceções, parto de uma idéia consciente que, em seguida não domino mais, antes que tudo tenha sido expelido. Tantas vezes me perguntaram qual é o meu ‘processo criativo’ e tantas vezes respondi que não sabia, que não preciso rituais para escrever, não preciso dez lápis alinhados, não preciso folhas de anotação, não preciso iluminação especial e não preciso de uma garrafa de vinho branco (já usei).

Há momentos em que o meu processo criativo parece não precisar sequer de mim mesmo.

Acredito que meu inconsciente é muito mais rápido do que eu, não cessa um segundo de lançar trevas ao meu pensamento, obscurecendo a inteligência que suponho ter e determinando fluir sentimentos e emoções que, na vida real, quase sempre consigo esconder.

 

 

Quinta pequena carta literária

Ler um romance e escrever um romance são atos que produzem um mesmo fenômeno psicológico cujos efeitos, no entanto, são diferentes e ambos radicais.

Como pertenço às duas categorias, leitor e escritor, o tema é recorrente para mim e vou tentar, brevemente, classificar e explicar o que acontece comigo, em cada uma das situações.

Antes esclareço que o fenômeno psicológico que ocorre nos dois casos é a abstração quase absoluta.

Ao iniciar a leitura de um romance, logo após os primeiros parágrafos, ingresso no universo interno da imaginação do autor e minha mente sofre os efeitos imediatos desse novo mundo, colocando todas as emoções, expectativas, esperança, medo, paixão, amor à disposição da sequência da história e seus personagens.

Estou à mercê do romance e das propostas que ele oferece, tão verdadeiras e reais quanto à vida real.

Por isto digo que ler é atingir o estágio superior da mente, em que somos capazes de dominar e viajar pelo tempo, porque, por maior que seja a abstração, jamais perco o controle, paro de ler quando quero, releio o que quero e, não é o meu caso, se for muito impaciente, vou ler o final para saber logo o que aconteceu.

Ler um romance é conseguir a abstração ideal, aquela em que você sublima a realidade, mas não se desliga dela.

Quando escrevo um romance, a abstração acontece, porém com muito mais intensidade e falta de controle. Posso afirmar que, enquanto escrevo, me descontrolo absurdamente, num estágio em que, quase o tempo todo em que estou trabalhando, mal distinguo o que se passa na minha imaginação daquilo que acontece no mundo real.

Já me aconteceu, mais de uma vez, de chamar alguém com o nome de um personagem e de confundir uma situação verdadeira com o que se passa em meu livro.

Lendo ou escrevendo, o mun do pode desabar ao meu lado que não perco a concentração. Mas um estouro, um barulho de motor ou uma trovoada podem me afastar do universo da leitura. Jamais me afastam do universo do livro que estou escrevendo.

Vivo em permanente conflito de identidade, como escritor, jamais sabendo com clareza se sou eu, o autor, ou se são meus personagens falando por mim.

Para escapar dessa espécie de prisão esquizofrênicas, criei alguns truques mentais que, numa próxima carta literária, revelarei.

 

 

Sexta pequena carta literária

Philip Roth, o grande escritor americano, anunciou que não escreverá mais, pois não consegue suportar a humilhação de ser escravo das palavras. Disse ele que a humilhação suprema é rasgar cinco páginas escritas, que isto se tornou insuportável para ele.

Duvido que ele pare. Para um escritor não há maior sofrimento do que não escrever. E humilhar-se diante das palavras é um ingrediente a mais, que compõe a enorme angústia de escrever.

O universo do escritor explode em todas as horas do dia, não há um segundo em que não se esteja escrevendo. Nem quando se dorme, nem quando se sonha, nem quando se ama.

Está lá esse grito terrível, que surge em lugares da mente que sequer suspeitamos existir, grito que é, quase sempre de urgência, desespero, medo e prazer.

O trabalho é árduo, humilhar-se realmente diante da frase, ofendê-la, brigar com ela e, depois apagá-la como resolvemos esquecer uma ofensa.

A dupla relação de ódio e amor é a constância do escritor, odiando o que escreve a amando esse ódio.

O isolamento imprescindível, mesmo que rodeado de pessoas, mesmo que o mundo real esteja ali, costurando sua teia opressora, faz do escritor um eterno culpado por, de certa forma, abandonar a vida, projetar sua libido para o próprio interior e por, aparentemente, desprezar o que não diz respeito ao que está escrevendo.

A tragédia do texto é o mal perpétuo do escritor, na luta perpétua de transformar em palavras sentimentos que desconhece ou mal conhece, fatos que sabe de ouvir falar e o esforço de não permitir (e nunca conseguir) que nele, o texto, não sejam revelados os estratagemas, os subterfúgios e os engôdos que estão à flor da consciência.

No final do texto, concluída a obra, resta-lhe a vergonha suprema de mentir, afirmando que este não sou eu, que isto não sou eu, que nada disto sou eu.

 

 

Sétima pequena carta literária

Não há prazer em terminar um romance, há muita perda e uma sensação de fim do mundo. O universo em que vivi por tanto tempo… terminou, não existe mais, estou fora dele e as referências que havia construído sumiram por completo.

Penso nos personagens e suas histórias, com os quais convivi, fiz parte, aconselhei, ouvi-lhes as queixas, os sonhos, acompanhei suas dores e conquistas e eles não são mais parte da minha vida, são outro mundo cujo acesso me é negado, por mais que tente a ele retornar.

O que sobra é apenas o universo real e ele parece tão pequeno, óbvio e enfadonho que a vontade é de dormir por um longo tempo, sem evolver-me com nada e com ninguém.

É triste terminar um romance que exigiu tanto sacrifício alegre, tanta angústia feliz, tanta liberdade, tanta liberdade que, na mais barulhenta festa, no mais triste evento, a liberdade permanece, basta catatonizar-me, abstrair-me e deixar-me levar pela imaginação, por mais insidiosa que ela possa ser.

Ler um romance produz efeitos semelhantes, porém nada iguais. Ler um romance é viver num mundo pronto e acabado e, por mais que retarde, sei que chegarei ao fim. E, quando gosto do romance, mais retardo o momento da última página porque, terminar a leitura de um romance também tem seu conteúdo de tristeza que a necessidade do desapego gera.

Escrever um romance é viver ‘com’ e ler um romance é viver ‘de’.

Mesmo que ao terminar um romance, idéias para outros já existam, há que permitir que a passagem do tempo se encarregue de preencher o vácuo emocional em que afundo, cada vez que termino um.

 

 

Nova pequena carta literária (8)

O aspecto formal e estético do romance não interessa ao escritor. Sua obra será catalogada pelos estudiosos, acadêmicos e, principalmente críticos da Literatura.

Porque ao escrever o romance, o escritor conta uma ou duas, ou três histórias da vida, repetidas, repetidas e mais do que repetidas ao longo da existência humana.

O escritor quer, ao escrever o seu romance, contar suas histórias do seu modo, com seu modo de ver, de sentir, de expressar.

O estético, no romance, será o produto da estética do escritor, sem a qual não há romance que valha.

Enquanto escreve, não está preocupado em saber se seu romance é de formação, é histórico, é leal, verossímel, inteligível e de agrado.

O máximo que, ao escritor, é permitido, é escolher o gênero da história que vai contar e, então, sabe-se que o romance será policial, drama, comédia, porque é o máximo que ele se atreve a contar, caso alguém pergunte sobre o que está escrevendo.

O escritor nada mais é do que o produto da sua imaginação e escravo de seus personagens.

 

Mais uma pequena carta literária (9)

O terror, ao escrever um romance, é quando não estou escrevendo.

Quando não estou escrevendo meus instintos recuam, as emoções ficam superlativas e a mente, furiosa.

Não há paz.

Os personagens trilham, vão, voltam, mudam, outros surgem, alguns somem, a história se modifica, mil ideias novas e, emergindo, a ansiedade que aumenta até se transformar no eterno companheiro de vida: o medo.

Enquanto não escrevo, o romance é apavorante, no que vai se transformar, como escapar das armadilhas que ele arma sem eu saber, a transfusão da realidade esquizofrênica para a realidade real é lenta, dolorosa e dramaticamente inevitável.

Quando retomo a escrita o processo se inverte, os instintos afloram, as emoções se acalmam e a mente torna-se macia.

Escrevendo, esqueço o que imaginei, simplesmente esqueço, e as palavras vão surgindo misteriosas, vindas não se onde, muitas dizendo o que nunca pensei dizer.

Quando estou escrevendo, o único pensamento lúcido que consigo ter é que sempre existe a palavra certa para o que se está dizendo.

 

 

Última pequena carta literária (10)

O escritor nunca está feliz.

Quando não escreve, sente-se amputado pela metade, como quem não está cumprindo sua finalidade da vida.

Enquanto escreve vive atormentado por personagens, situações, eventos e ansioso em saber como terminará a história que está contando. O universo próprio do romance nem sempre é bom para o escritor.

Quando termina o romance sofre duplamente: Jamais fica satisfeito com o que escreveu. E dolorosas saudades do mundo que criou e dos personagens com quem conviveu.

Quando o romance é publicado, um pequeno momento de satisfação ao ver o livro pela primeira vez. Efêmera satisfação porque, em seguida, distancia-se da obra por instinto de sobrevivência.

Se a crítica é boa, sofre porque ela é fugaz. Se a crítica é ruim, sofre porque ela não é boa. Se o livro vende muito, sofre porque não sabe o que os leitores estão sentindo. Se vende pouco, sofre porque se sente injustiçado.

Sofre, sofre, sofre porque, assim como não controla seus personagens, também não controla o que acontece com eles no respectivo mundo exterior.

De todas as infelicidades, prefiro a que sinto quando estou escrevendo.

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