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11/02/2014 / Paulo Wainberg

Quando o artista morre

Quando o artista morre a Arte se compraz. Artista é o pobre coitado que passa a vida em busca do apogeu, do sublime, da obra prima que será sempre a próxima canção, a próxima tela, o próximo bronze, o próximo livro, o próximo palco, o próximo piano, o próximo, o próximo, o próximo.

A obra feita pouco significa para o artista que a olha como quem olha o que não lhe pertence. E nisto o artista tem razão, este artista que olha para trás, para sua obra, não é o mesmo artista que a concebeu, que a criou.

Amaldiçoado, o artista jamais está satisfeito, jamais está completo, jamais dorme em paz, o seu apogeu acontece apenas quando morre, para satisfação da Arte, agora senhora e dona da obra completa, imutável e imorredoura.

O artista, agora morto, será pranteado e lembrado pelos seus próximos, mais tarde cultuado por seus fãs, porém ele, o artista, o humano, aos poucos desaparece da vida real e, com sorte, ganhará um sorriso terno de uma lembrança terna, muitas gerações depois.

Porém a Arte, a que ele produziu, está ficará, mesmo que no ostracismo, ostentando sua grandeza pelo tempo que durar o resto da eternidade.

Afinal, não é assim que se diz? O homem pouco interessa, a obra é tudo.

One Comment

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  1. Paulo Bentancur / Fev 11 2014 10:51

    Excelente. O produto supera o operário. Pobre artista escravo de sua obra. E é ela que, se ficar, ficará.

    Gostar

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