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13/12/2013 / Paulo Wainberg

Heroísmos heróicos

Super Homem, Batman, Homem Aranha, Tocha Humana, Surfista Prateado, James Bond, Tiradentes, De Gaulle, Churchil, Lincoln, todos heróis que a Humanidade cultiva e necessita, uns de ficção, outros reais, para dar sentido à vida, justificar a existência, representar o Bem na luta contra o Mal e, principal de todas as razões, essência de todos os motivos, para se divertir.

Heróis de quadrinhos ou de cinema ou de livros pertencem ao rol dos imaginários super poderes, alguns consideráveis, outros simplesmente ridículos como o antigo Capitão Marvel, um cidadão dos mais comuns que se pode imaginar e que, ao simples grito de Shazam, tornava-se num homem com poderes inigualáveis, todos suficientes para derrotar o teimoso, insistente, irascível, maquiavélico, cadavérico e eterno perdedor dr. Silvana.

Derrotava a cada gibi, mas jamais infringia-lhe a derrota definitiva, capaz de eliminá-lo para sempre do rol dos ativos criminosos de então.

Entre o Bem e o Mal, o grande público tinha idêntica admiração por ambos, herói e vilão, o que este agora teria inventado de terrível e como o mocinho faria para derrotá-lo.

Tiradentes, mais do que herói, foi um mártir da História Oficial, não foi além das fronteiras desprotegidas brasileiras e sua decapitação rendeu-lhe mais homenagens dos que as que recebeu durante sua vida de aparentes lutas pela liberdade.

O cidadão comum, o mero, o vulgo, não ultrapassa uma existência de ter alguém para admirar, para invejar, para querer ser como, um James Bond com sua espetacular música-tema, impávido, corajoso, imbatível, culto, refinado, as mais lindas mulheres aos seus pés, salvando o mundo em cada filme e devolvendo o fôlego aos espectadores maravilhados e  humilhados ao se dar conta da própria insignificância.

Napoleão, conquistador sanguinário ao nível de um Julio Cesar, já foi comparado a Hitler, comparação inaceitável porque este último preconizou o extermínio e a escravidão das raças inferiores à sua, a ariana.

Foram derrotados pelos meros humanos, os vulgos, os cidadãos comuns que, por serem como eram, precisavam cultivar seus heróis, De Gaulle e Churchil, heróis de barro como a própria História futura se encarregou de demonstrar.

Capitão América e a figura de Lincoln, fantasiada de Tio Sam, foram heróis de quadrinhos, salvando o american way of life à custa das vidas de milhares de seus cidadãos comuns, meros, vulgos, ainda que por uma causa justa, se é que a guerra pode ser uma causa justa.

Nossos heróis reais e contemporâneos simbolizam aquilo que cada indivíduo gostaria de ser e de fazer e acha que não pode.

Quando nós, pessoas comuns, meros e vulgos aceitarmos nosso próprio heroísmo, talvez sejamos capazes de prescindir dos heróis a nos conduzir e aceitá-los apenas para nosso divertimento, leve, agradável, inconsequente e verdadeiro.

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