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13/12/2013 / Paulo Wainberg

Amém

São incontáveis as vezes em que declarei que não sou supersticioso, mas não saio de casa sem ler meu horóscopo, uma concessão simbólica que faço aos videntes que sabem tudo sobre a vida dos outros e, por isto, em geral morrem pobres.

Em se tratando de sextas-feiras 13, consagradas como dias de azar, pouco ou nada tenho a declarar, salvo que, quando elas surgem, procuro não sair de casa. Não por se tratar de uma sexta-feira 13 e sim por se tratar, simplesmente, de uma sexta-feira.

Na Antiguidade, sábados de manhã eram dias úteis e muito trabalhei nos de então. Tudo funcionava, foro, Tribunal, cartórios, bancos, repartições públicas em geral e em particular.

O fim de semana começava à valer no sábado a tarde, restando apenas o domingo para não ter que levantar cedo.

Considero-me um dos precursores na luta contra esse terrível hábito de trabalhar sábado de manhã. Por que? Porque decidi que, mesmo tudo funcionando, meu fim de semana começaria na sexta feira, 13 ou não.

Aos poucos minha voz foi ouvida, primeiro, como é óbvio, pelos funcionários públicos que se tornaram meus seguidores na épica Cruzada.

Pouco demorou até que novos segmentos da sociedade assinassem minha lista de adesão e de repente, quase sem alarde, tudo o que antes abria e funcionava no sábado de manhã, parou de abrir e de funcionar.

Finalmente o fim de semana passou a ser de dois dias inteiros, sábados e domingos, estes últimos sem jamais perder a depressiva melancolia de seus entardeceres.

Agora, como podem perceber, estou em plena campanha para que o fim de semana comece na sexta feira, afirmando a imperativa necessidade humana de ter três noites seguidas para beber, festear, farrear e refestelar sem culpa.

A farra é essencial, mesmo que seja sozinho na frente da televisão, comendo tudo o que está na geladeira e, de quebra, mandando vir tele-entrega após tele-entrega.

Garanto que também é bom.

O sonho da minha existência é que só exista um único dia útil na semana, que não pode ser outro que a terça-feira, tradicional o mais chato de todos e nenhum número do mês para azará-lo.

Transferir o entardecer melancólico para segundas-feiras, trabalhar na terça e entrar no período de fim de semana na quarta, aproveitando a terça de noite para o primeiro porre que tenha a dignidade de merecer esse nome.

Provavelmente não estarei vivo para ver isto acontecer, mas este será o meu legado e meu nome será reverenciado futuro a dentro, em cada festa, em cada bar, teatro, cinema e motel, e eu, como espírito errante, abençoarei meus seguidores com um copo ectoplasmático de cerveja geladíssima, faça frio, faça calor.

Que assim seja!

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