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12/12/2013 / Paulo Wainberg

MANDELA

MANDELA: Mandela suportou 27 anos de prisão porque não tinha opção. O insano e cruel appartheid sul-africano não admitia refutações. Seu grande mérito foi o de conseguir controlar seu ódio e obter, graças ao talento e gênio, enterrar a discriminação não pelo ódio, pela retaliação ou pela vingança, e sim pela conciliação. Transformou a Africa do Sul em um país de direitos iguais, ao menos em tese, sem discutir ou apregoar questões de superioridade racial. Não ameaçou os brancos com ideias de trucidar, recuperar, apropriar, expulsar. Talvez tenha conquistado tamanha grandeza justamente por ter ficado preso e pensado, pensado muito. E nisto reside sua genialidade. De certa forma, Mandela foi um Cristo moderno e não foi à toa que o Bispo americano Tutu Desmond tornou-se seu grande aliado. A figura que a ele se compara, no século XX, foi Martin Luther King, um líder negro que pregava quase a mesma coisa: Direitos Civis iguais, reconciliação, co-habitação, integração. O appartheid norte-americano foi diferente do da Africa do Sul. Os americanos, por tradição, não são hipócritas com o seu racismo. Após a abolição, permitiram aos negros fazer e ter tudo que pudessem, desde que se mantivessem longe do brancos. Os negros americanos tinham escolas, igrejas, clubes, lugares reservados em transportes coletivos, banheiros públicos exclusivos, times de basquete e campeonatos só deles e participaram nas duas principais guerras do século, a 2a Guera Mundial e a Guerra do Vietnã com seus contingentes próprios, missões próprias e idêntico patriotismo dos brancos. Desde que um negro não ousasse ser mais do que um tenente. Luther King não usou a superioridade racial, como fizeram seus companheiros de luta, entre eles Malcon X e Mohammad Ali. Para estes os negros eram racialmente superiores aos brancos, mais bonitos, mais inteligentes, melhores atletas, mais viris. Deram origem aos Panteras, com susa grandes cabeleiras e o punho erguido, afirmação clara de um sentimento de superioridade racial. Marthin Luther King foi assassinado porque discordou, porque quis uma América sem discriminação e com direitos iguais para todos. Foi assassinado porque os negros americanos que eram tão racistas quanto os brancos, entendiam que somente através da luta e da vingança estariam livres da terrível escravidão a que foram submetidos. Todas essas questões resultam do atávico racismo humano. Brancos são racistas assim como negros, chineses, japoneses, árabes, judeus, eu e você. Não adianta lutar contra esse sentimento assim como não podemos lutar contra a cor dos nossos olhos ou do tamanho de nossos dedos. MANDELA E MARTIN LUTHER KING foram grandes, imensos e exemplos de humanidade, porque compreenderam isto com clareza e dedicaram suas lutas não a combater o racismo e sim a discriminação racial que, esta sim, é o racismo posto em prática. Não é o MANDELA que agora morreu que merece o reconhecimento da HUMANIDADE, e sim aquele que evoluiu como ser humano, compreendeu melhor do que ninguém a sua natureza e encontrou o caminho para dominá-la, usando nossa selvageria inata em prol e a favor dos conceitos não menos humanos de justiça e paz.

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