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06/11/2013 / Paulo Wainberg

Mais uma pequena carta literária (9)

O terror, ao escrever um romance, é quando não estou escrevendo.

Quando não estou escrevendo meus instintos recuam, as emoções ficam superlativas e a mente, furiosa.

Não há paz.

Os personagens trilham, vão, voltam, mudam, outros surgem, alguns somem, a história se modifica, mil ideias novas e, emergindo, a ansiedade que aumenta até se transformar no eterno companheiro de vida: o medo.

Enquanto não escrevo, o romance é apavorante, no que vai se transformar, como escapar das armadilhas que ele arma sem eu saber, a transfusão da realidade esquizofrênica para a realidade real é lenta, dolorosa e dramaticamente inevitável.

Quando retomo a escrita o processo se inverte, os instintos afloram, as emoções se acalmam e a mente torna-se macia.

Escrevendo, esqueço o que imaginei, simplesmente esqueço, e as palavras vão surgindo misteriosas, vindas não se onde, muitas dizendo o que nunca pensei dizer.

Quando estou escrevendo, o único pensamento lúcido que consigo ter é que sempre existe a palavra certa para o que se está dizendo.

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