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31/10/2013 / Paulo Wainberg

O Holocausto é hoje

O HOLOCAUSTO É HOJE

(publicada no jornal O SUL em 21.04.09 )

Quando o primeiro homem negro na costa africana foi caçado, aprisionado e jogado dentro de um navio espanhol ou português, deu-se início ao que denomino de Holocausto da era contemporânea. Isto aconteceu em meados do século XVI, época em que a Inquisição estava no auge e os índios pan-americanos eram massacrados em nome da Colonização.

A escravidão negra incluía, na horrenda lista das discriminações, o estigma racial, o conceito de sub-humanidade e a prevalência dos brancos como raça superior e, portanto, autorizada a escravizar os negros.

Originalmente, o holocausto era uma oferenda religiosa que consistia em queimar animais vivos, como sinal de obediência e adoração divina. Holocausto é uma palavra grega, muito usada na Bíblia e que teria gerado o primeiro crime da Humanidade: Caim matou Abel por ciúmes, sua oferenda – um animal queimado vivo – foi recusada por Deus, enquanto a oferenda de Abel subiu, em forma de fumaça, aos céus.

A Inquisição praticava um holocausto religioso, punindo os não cristãos e os hereges com inenarráveis torturas culminadas com a queima dos pecadores, vivos, em fogueiras, para glória do populacho e em nome de Deus. Um resquício da caridade cristã perdoava os que se convertiam e os que se arrependiam da heresia, mesmo que a ferro e fogo.

Na Rússia dos séculos seguintes, o holocausto adquiriu um significado lúdico, uma diversão de fim de semana: os heróis russos adoravam invadir aldeias de judeus, matando os homens, estuprando as mulheres e queimando as casas, uma festa que ganhou notoriedade mundial com o nome de “pogroms”, tão ao gosto de Czares, de seus aristocratas e soldados.

Até então, e ao longo dos séculos, a palavra holocausto não era utilizada, a barbárie humana disfarçada em interesses econômicos, em desenvolvimento civilizatório, em brincadeiras inconseqüentes.

O sofrimento dos discriminados, especialmente negros, índios e judeus era apenas um detalhe que não tirava o sono dos heróis do faroeste, dos senhores de engenho, das autoridades da Inquisição, dos governos estabelecidos e dos padeiros, açougueiros, médicos, teocratas e de pais de família em geral.

A palavra Holocausto adquiriu novo significado a partir de Hitler e da Alemanha Nazista. Pela primeira vez, na História moderna, a raça tornou-se uma questão de Estado, legalizada através de construções jurídicas anormais e anômalas e amparada por sofismas intermináveis e notável aparato de propaganda. Os arianos superiores, as outras etnias, inferiores, os judeus, ciganos, homossexuais e deficientes físicos, sub-humanos.

Os primeiros para dominar, os demais para serem dominados e os últimos para serem exterminados. E, assim dizendo, passou-se à prática que resultou na tragédia mais vasta e brutal da História Humana.

Holocausto transformou-se em sinônimo da violência, da brutalidade e do extermínio racial, a demonstrar que nenhum monstro que a nossa imaginação conceba é mais monstruoso do que o ser humano.

Nos dias atuais, graças aos que relativizam, banalizam, ironizam e desmentem o Holocausto, ele continua, prospera e ganha adeptos, expressando-se através do Terrorismo, tecnologicamente avançado método de extermínio em massa.

Estes furiosos seres estão, no dia de hoje, saudando o Holocausto, executando, organizando e planejando morticínios, extermínios e extinções étnicas, sorrateiramente, indiscriminadamente e em nome de “valores” semelhantes aos dos nazistas: superioridade, dominação, riqueza.

E a Humanidade? Pasma.

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