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21/09/2013 / Paulo Wainberg

Três tons de sombra

Duas sombras se encontraram numa parede dos fundos. Uma olhou para a outra como se olham os invasores, cada sombra se julgava a dona da parede.

Em segundos as sombras engalfinharam-se numa luta mortal até que, exaustas, caiu cada uma para um lado, ofegantes e dando à parede dos fundos o estranho aspecto de coisa desarrumada, de carro batido, de cama desfeita.

As respirações voltaram ao normal e as duas sombras voltaram a se encarar. Perceberam que a hostilidade inicial desaparecera, que até, quem sabe, podiam ocupar, juntas, a parede dos fundos.

Na parede da frente a sombra solitária a tudo assistia, consternada e pensando: “Por que isto nunca acontece comigo?”

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