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13/09/2013 / Paulo Wainberg

Yom Kippur, o Dia do Perdão

Abstraindo o aspecto religioso das religiões, elas possuem algumas coisas que são simplesmente maravilhosas.

Todas elas.

Menciono isto porque, de um modo geral, acho que as religiões, seus cultos, ritos, proselitismos, evangelhos e lutas pelo poder são uma das principais causas dos males da Humanidade.

Umas exigem fé incondicional, outras exigem obediência, outras exigem auto flagelos, outras ainda exigem humilhação e cada uma delas pretende instalar a primazia do próprio Deus negando, portanto, o Deus das demais.

Mas volto ao que pretendo falar porque hoje, ao surgir a primeira estrela no céu, celebra-se um dos mais lindos dias que o ser humano foi capaz de conceber, conceitualmente falando e sem o apelo mítico-religioso: O Dia do Perdão.

Perdoar talvez seja o ápice do Humanismo, admitir o erro próprio e alheio e encontrar, internamente, os melhores sentimentos para concluir que somos todos iguais e que somos todos perdoáveis.

Trata-se de uma celebração judaica, o Yom Kippur, cuja ritualística impõe jejum absoluto até o surgimento da primeira estrela no céu do dia seguinte, abstenção da prática de quaisquer atos não naturais, como andar de automóvel, falar telefone e escrever crônicas no computador.

Vinte e quatro horas dedicadas ao templo, à sinagoga, em constante meditação, orando e louvando Deus, recuperando a memória dos erros e transgressões (pecados) praticados no ano anterior, pedir perdão por eles e prometer não repeti-los. Pensando nos amigos e inimigos e perdoá-los da mesma forma, desejando-lhe que não cometam os mesmos erros do ano anterior.

Acho essa carinhosa atenção que se pode dar aos outros e a si próprio um mágico poema e mesmo que as promessas sejam descumpridas a partir da vigésima quinta hora, um dia apenas, e um dia basta para que as pessoas melhorem um pouco, umas com as outras e consigo mesmas.

A simbologia das datas não são excludentes e, se tivermos a capacidade de entender que não precisamos de um dia especial para pedir perdão e perdoar, poderíamos fazer isto todos os dias. Infelizmente, não temos essa capacidade.

Há quem, em nome do Dia do Perdão, simplesmente esqueça de perdoar pelo resto do ano, assim como quem esquece de se arrepender ao longo da vida, sabendo, num caso, que no Dia do Perdão será redimido e, no outro, que na hora da morte será abençoado.

Há quem ignore conceitos como perdão e arrependimento e não entendem a razão pela qual vivem com medo.

Mesmo que tudo seja fútil, mesmo que sejamos provisórios e transitórios, ainda possuímos coisas lindas a cultivar e, enquanto estamos aqui, há que cultivá-las.

Não acredito nas religiões mas acredito em muitas coisas que elas contém, o perdão é uma delas e por isto, a todos os que professam suas religiões, a todos que jejuarem, orarem perdoarem e se purificarem, o meu  carinho.

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