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11/09/2013 / Paulo Wainberg

Efeito vai e vem

Chego à lágrimas de emoção ao ver o prazer da Humanidade em cultuar tragédias do passado.

E explico: Relembrar desastres, prestar homenagens a mártires antigos da intolerância, do terrorismo e das catástrofes naturais é um delicado modo de esquecer os mártires atuais, produzidos pelas mesmas atrocidades do passado.

Marcamos datas para cultuá-las e produzirmos candentes discursos a cada aniversário futuro da tragédia de hoje.

Atrevo-me a pensar que os humanos querem que os horrores não acabem para que, cada vez mais, possamos canonizá-los no futuro, em nome da cínica ambição de não esquecer, para que não se repita.

E minhas lágrimas, falsas como todas as outras, são apenas manifestações da hipocrisia de quem sabe – e não nega – que é cínico.

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