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02/09/2013 / Paulo Wainberg

Confissão de fé

Começam as comemorações do ano novo judaico, o Rosh Ashaná, ano 5774. Segundo hermeneutas do Talmud, o primeiro dia foi aquele em que Deus criou Adão. Segundo outras correntes, menos aceitas, o primeiro dia foi quando Jeová exigiu o sacrifício de Isaac por seu pai Abraão e na última hora suspendeu o holocausto, firmando com Abraão o Pacto para que a descendência do patriarca constituísse seu povo prometido, marcado pela circuncisão.

Acho que a primeira versão é a mais correta, afinal quando Deus e Abrão celebraram o pacto, o mundo já existia há muito tempo, não poderia ser, então, aquele o primeiro dia.

Seja qual for a versão correta, fica demonstrado sem sombra de dúvidas que Deus era judeu, salvo se algum incréu não admitir os fatos Bíblicos do Antigo Testamento como verdades absolutas, coisa que nem mesmo o Cristianismo e suas igrejas ousaram fazer. 

O advento de Cristo e a fundação da Igreja Católica remarcaram a data do ano novo para estabelecer uma nova contagem da passagem do tempo, estabelecendo o nascimento de Jesus (Natal), como o primeiro dia da nova era. 

A confusão se estabeleceu porque a nova era não invalidava a antiga contagem judaica, apenas fazia uma atualização, um up grade, como dizemos em português.

O primeiro ano Bíblico foi o dia da criação fixado no Velho Testamento e o primeiro ano humano foi o dia do nascimento de Cristo. 

Não ha razão para conflitos, é uma pura apreciação aritmética, uma conta de subtrair e nada mais.

Já debochei e desqualifiquei muito as religiões e os religiões, em épocas em que minha arrogância era pouco controlada e o meu respeito pelo pensamento e sentimento alheios caia numa vala onde, prepotente e mal educado, considerava-os menores, ‘aquela gente que não vale à pena’, imbecis da imbecilidade, ignorantes da ignorância.

Há muito não faço mais isto. Aprendi a respeitar, a ouvir e, mesmo não crendo, e mesmo discordando, não reduzir o outro à uma insignificância a qual ele está longe de pertencer, apenas porque tem fé e sentimentos religiosos.

Posso criticar posições, posso minimizar os ritos, posso avaliar efeitos, positivos e negativos, das religiões, mas não posso e não faço desrespeitá-las, muito menos aos seus crentes e seguidores.

É por isto que, a todos os judeus que acreditam que estão entrando no ano 5774, envio meu abraço e expresso minha admiração pela persistência e pertinácia, cultivando por gerações e séculos, aquilo que para mim não faz sentido. Do mesmo modo como cumprimento a todos os povos cujo ano novo começa no dia primeiro de janeiro ou em outras datas que desconheço, como ano novo chinês, muçulmano, japonês e outros tantos.

Comemoro as festividades judaicas e cristãs de início de ano com espírito de festa, como datas de aniversários individuais, estes sim com contabilidade precisa do início da vida.

Entretanto, sem nenhuma festa, sem presentes e sem orações, e do meu ponto de vista que é puramente individual, cada vez que a Terra completa um giro sobre si mesma, a cada dia que termina, termina um ano, a cada dia que nasce, começa um ano.

Não me regozijo com isto, com o fato de estar iniciando um ano novo cada vez que acordo. Nem me lamento. Só acho que é mais simples.

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