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27/08/2013 / Paulo Wainberg

Dalila ou Madre Tereza?

Como fazer para estar como o diabo gosta? Do que o diabo gosta, ou melhor, o que o diabo gosta que você faça?

Ficar na cama num dia de chuva e cinco graus de temperatura é estar como o diabo gosta? Claro que não, diabo com certeza não gosta de frio, muito menos quando você precisa ficar na cama, seja por causa de uma doença, seja por causa de uma mulher.

O diabo deve gostar quando você fica na cama por vagabundagem ou preguiça, aí você entra no terreno dele, a infração, o pecado, a transgressão.

O diabo, todos sabem, tem lá as suas manias. Dentre elas está a de colocar você em situações prazerosas, por exemplo diante de um espaguete ao frutos do mar, um vinho tinto, cinco odaliscas dançando e uma no seu colo.

Na hora do expediente.

O diabo gosta do seu prazer na hora errada, com o marido da amiga, sua cunhada, adorando cada minuto e achando que da vida nada se leva.

O diabo vibra.

É porque o diabo, esse tolinho, acredita que na hora agá, do juízo final, seus prazeres e seus sofrimentos serão colocados na balança e se os prazeres pesarem mais do que os sofrimentos não tem discussão, sua alma é dele para o resto da eternidade.

Se for o contrário ele perde sua alma que vai ouvir anjo tocando harpa no céu, continuando sua saga de sofrimento perpétuo.

Lá embaixo muita curtição, farra o tempo todo entre chamas ardentes, chicotes sádicos, torturas masoquistas deliciosamente sofridas, roque metal e show eterno do john travolta dançando, tudo programado para deixar seus nervos em frangalhos, a espera do próximo evento. É o castigo por sua vida de prazeres.

Lá em cima, temperatura amena, nuvens flutuantes, dez orações por hora, veneração, respeito, meditação e, fora as harpas, o silêncio edificante. É a recompensa por tanto sofrimento em vida.

Mal sabe o diabo, esse bobo, que as forças celestiais têm lá as suas artimanhas, entre elas roubar no peso das balanças. E diante do fluxograma das atividades infernais comparadas às celestiais, você que ainda tem o livre arbítrio, tem o direito de escolher entre o caminho do insosso bem eterno ou o do alucinante mal perpétuo.

Este é o legado que deixo aos jovens.

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