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16/08/2013 / Paulo Wainberg

Algazarras literárias

Quando foi-se a primeira pomba despertada, Raimundo Corrêa, insatisfeito, acrescentou outra e outra mais e ainda mais outra.

Percebendo que, se não parasse acabaria descrevendo uma manada de pombas revoando pelos céus a cagar na cabeça dos leitores, seguiu novos rumos e foi comer dois ovos fritos com pão, geleia e duas colheres de granola, para os intestinos.

Na mesma hora Oswaldo de Andrade (ou terá sido Mario, aquele que te comeu atrás do armário) escrevia Macunaima imaginando Grande Otelo no papel principal.

Sinal que florescia a literatura brasileira, inclusive a poesia, desde que Bilac, o Olavo, instituíra o serviço militar obrigatório no País e depois mandara todo o mundo ouvir estrelas, babaquice absoluta pois nem quem ama tem ouvidos capazes de ouvir e entender a estrelas porque estrelas não falam, coisa que um parnasiano enrustido não ousa dizer.

Foi quando Machado de Assis, levando a coisa ao pé da letra, fundou a Academia Brasileira de Letras e escreveu um dos livros mais chatos jamais produzidos chamado Helena, deixando embasbacados os críticos da época que juraram que ele escrevera o livro no seu tabelionato, entre um reconhecimento de firma e outro.

Jorge Amado por sua vez, comunista nato, juramentado e genético, escreveu Capitães de Areia e foi hipnotizado pela mosca azul que tanto zoou em seus ouvidos e cosqueou seu nariz, até fazer campanha ferrenha entre mil candidatos, pelo direito de sentar a bunda numa das cadeiras almofadas da acadêmia fundada por Machado.

Aí chegamos à Sarney que, durante um porre memorável de cachaça com melaço e rapadura, escreveu Marimbondos de Fogo querendo dizer nossa!, tomei um fogo homérico, estou vendo marimbondos.

Foi então que a literatura brasileira militarizou-se, acomodando na academia de Machado tanta gente aliterária (“a”, prefixo de negação) que hoje em dia não sabemos mais se existe literatura brasileira ou se ela não passa de um cabeçalho nos absurdos cadernos literários publicados na imprensa, que a maioria não lê, a maioria dos que leem não entende e a minoria dos que entendem colocam na grande pilha do armário embutido para ler depois.

Para concluir e sabendo que críticos, acadêmicos ou de velório, de livro ou de jornal, detestam a literatura brasileira, desprezam os escritores brasileiros, acompanhados com urros de aderência pelas editoras brasileiras, fica óbvio que escritor brasileiro só sobrevive e terá chance de ganhar um premio Nobel se escrever em inglês.

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