Skip to content
14/08/2013 / Paulo Wainberg

O agente (segunda parte)

Trêmula, Clarinha voltou para casa e abriu o envelope. Dentro dele, envolto em papel celofane, a chave de um cofre de banco. E também o extrato de conta corrente de um banco suíço, o nome dela como titular, O saldo da conta era de oitenta e cinco milhões de Euros.

Sem acreditar no que estava vendo, sua primeira reação foi ter uma enxaqueca. Enlouquecida de dor, tomou uma neosaldina, apagou as luzes e deitou-se na cama, com os olhos fechados.

Adormeceu.

Acordou sem dor e, enquanto preparava um café preto, pôs-se a pensar.

Quem era Haroldo afinal?

Quando se conheceram numa discoteca, gostou dele e do jeito desengonçado dele dançar.

Deu um jeito de, rebolando ao som do Village People, ficar a frente dele e juntos, dançaram até o sol raiar. Saíram dali diretamente para um motel e sacramentaram o mútuo desejo carnal através da prática do abominável coito.

Namoraram e casaram em pouco tempo e viveram relativamente felizes por cinco anos, até Haroldo sumir.

Sabia que ele era professor, dava aulas de História numa escola pública, pouco ambicioso, pacato, jogava futebol com amigos nos sábados e à noite iam jantar fora e transavam na volta.

Tinham uma vida tranquila, sem sobressaltos, o único problema que tinham era a dificuldade dela em engravidar, devido ao pouco tempo de vida dos espermatozóides deles.

Um tratamento constante, com tabelas, horários e termômetros subsidiários resumia a tentativa deles de ter um filho.

Agora Haroldo era Klaus, vivendo mundo a fora, envolvido com códigos secretos do mundo da espionagem e, pelo saldo da conta milionário no banco suíço.

Bebericando seu café preto sem açúcar, levou um susto quando a campainha da porta (som de noite feliz do Natal), tocou.

Abriu a porta e diante dela um anão de tênis, bermuda e camiseta, barbudo e com os cabelos abaixo dos ombro, estava parado. Óculos escuros aumentavam o aspecto sinistro do anão.

– Boa noite, a senhora é Clarinha?

Clarinha lembrou-se da advertência de Haroldo, na carta, de fugir para a casa da mãe se aparecesse na sua frente um anão ou um manco.

– Sim, sou. Mas me desculpe, estou de saída.

Ele entrou e Clarinha percebeu que o anão era manco. Perigo duplo.

– Você não vai a lugar nenhum antes de me dar a senha.

– Senha?

– Da tua conta no banco. Ou você me dá a senha ou Klaus morre hoje mesmo.

Clarinha ponderou sobre a possibilidade. O que era melhor, Haroldo vivo e o dinheiro na conta ou o dinheiro na conta e Haroldo morto? (continua).

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: