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06/08/2013 / Paulo Wainberg

Passional

Quando Haroldo chegou em casa naquela noite e encontrou Clarinha e Norberto na sala, sentiu que ali havia coisa.

A garrafa de vinho sobre a mesa, o rosto afogueado de Clarinha com pernas cruzadas aparecendo quase tudo, o olhar lúbrico de Norberto e o ambiente a meia-luz não deixavam dúvidas, uma traição estava sendo planejada e o traído era ele, Haroldo.

– Oi pessoal, disse ele disfarçando.

Fingiu não notar a contrariedade de Clarinha e seguiu:

– Tudo bem, Norberto?, prazer em ver você.

– Igualmente, Haroldo, vim tratar daquele negócio, mas acho que cheguei muito cedo.

– É. Parece que chegou. Fica para o jantar?

Norberto olhou para Clarinha, que fazia sim com a cabeça.

– Se não for incômodo, tudo bem.

Durante o jantar, falaram de negócios e Clarinha mal disfarçava o nervosismo, percebido por Haroldo que não poupou a mulher:

– O que houve, meu bem, não está passando bem?

– Estou ótima, querido, um pouco preocupada com as crianças. Sabia que a Martina hoje puxou os cabelos de uma coleguinha?

– Não sabia. Essa menina é meio agressiva. Temos que ficar de olho.

Sob a mesa, Norberto enfiava o pé entre as coxas de Clarinha que, num esforça gigantesco, fingia que nada estava acontecendo.

Haroldo avisou:

– Depois da janta vou ter que sair. Combinei com o Feliciano de nos encontrarmos para acelerar a campanha. Amanhã o pessoal vai estar na empresa para ver o trabalho. São clientes muito importantes para a agência.

– Quer que eu vá com você, Haroldo? – Perguntou Norberto.

– Não. Não precisa. Vocês podem ficar conversando aqui. Não vou levar mais do que uma hora.

Quando Haroldo saiu, um silêncio se estabeleceu na mesa. Aí Clarinha perguntou:

– Norberto, porque você está com o pé nas minhas coxas?

– Tesão, Clarinha. Tenho por você uma tesão apocalíptica.

– Mas…. eu sou casada. Tenho filhos.

– Preciso de você. Amo você. Quero você nos meus braços, beijar sua boca…

– Norberto, por favor, pare!

– Não posso. Só de olhar você fico louco.

– Norberto…

Quinze minutos depois Haroldo entrou em casa no mais absoluto silêncio. Chegou na sala e viu Clarinha e Norberto aos beijos, a mão de Norberto nos seios dela e as mãos de Clarinha enlaçando com paixão o pescoço de Norberto.

Em silêncio absoluto, Haroldo foi à cozinha e pegou a faca, Voltou para a sala e viu Clarinha com as pernas abertas e Norberto deitado sobre ela, ambos num beijo alucinado.

Haroldo olhou para ambos e disse:

– Espero que vocês sejam felizes. E de imediato, cortou o próprio pescoço.

A polícia, após a investigação, encerrou o inquérito com a seguinte conclusâo:

Suicídio justificado.

 

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