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01/08/2013 / Paulo Wainberg

Bom dia?

Acordei hoje me sentindo estranho.

Como assim, estranho?

Estranho, simples assim.

Analisando a questão a fundo, percebo que sentir-me estranho não significa estar diferente. Ao contrário, significa estranhar o que você está habituado a sentir.

Indo ainda mais fundo, não vislumbrei qualquer ansiedade ou desejo além daqueles que sempre sinto e tenho, e vasculhando o mais íntimo do meu íntimo concluí que me sentir estranho também faz parte do habitual e que, pasmei, todos os dias acordo me sentindo estranho.

Toda a reflexão foi feita diante do espelho, olho no olho, cara a cara e, quando me refugiei na escova de dentes o mal já estava feito, eu estava definitivamente definido na mesmice e na estranheza, isto é, um ser repetitivo que se estranha e não se alarma, porque já está acostumado.

Anormal será o dia em que eu despertar e não me sentir estranho, isto me apavora, como me sentirei então, se não for estranho?

Com qual tipo de sensação vou ter que lidar e onde estará escondida a minha estranheza, tão querida e acalentada todas as manhãs?

Agora, penteando os cabelos, sem gel ou fixador, recebo a luz que me acalma e afasta o fantasma da não estranheza dos meus pensamentos.

Pois fico sabendo, abotoando os botões da camisa, que quando eu não me sentir estranho, nada mais sentirei e estarei definitivamente morto, quase que certamente para sempre.

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