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31/07/2013 / Paulo Wainberg

Se eu fosse pintor

Se eu fosse pintor, meu quadro seria sutil e abrangente, com cores evasivas e lúcidas, com textura opaca e brilhante.

Quem olhar meu quadro verá a si mesmo do modo que gosta de se ver e também verá as obscuridades que gosta de esconder.

Meu quadro seria o livro das revelações fugazes, as figuras desenhando os cordões umbilicais da existência, os contornos revelando matizes jamais vistas nas tropelias do amor.

Meu quadro seria o oposto da arte, um composto de sorte, alegria, azar e melancolia.

Quem olhar meu quadro irá chorar e rir, amar e sofrer, dormir sem sonhar e sonhar sem dormir.

O título do meu quadro seria individual, cada um receberia um sinal para dar-lhe o nome final, a ilusão real, a continuação terminal.

Se eu fosse pintor, meu quadro seria figurativo e representativo, clássico e moderno, expressionista e experimental, natureza viva e morta e quem olhar meu quadro nele verá o buraco sem saída e, também, uma porta.

One Comment

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  1. Maria Luiza Bozzetti Laviaguerre / Jul 31 2013 12:59

    Parabéns, Paulo! Se você não é um “pintor”, tem a sensibilidade de um, e com seu texto maravilhoso, consegue substituir as cores, as formas, em suas palavras e de certa forma, pintar seu quadro! Maravilhoso!

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