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25/07/2013 / Paulo Wainberg

Reformas

Luiz Fernando Verissimo (o gênio) publica uma interessante crônica sobre a importância definitiva de grandes líderes, heróis e libertadores como fator decisivo para mudanças na História.

Toma os exemplos de Mandela, Luther Martin King e Gandhi, homens importantes para o fim da discriminação racial na Africa do Sul, Estados Unidos e para a libertação da India do domínio inglês e aventa a hipótese de que a própria História se encarregaria de efetivar tais mudanças, independentemente da ação dessas pessoas.

Talvez. Isto nunca saberemos. O fato é que todas as mudanças radicais da História tiveram seus líderes, seus pregadores, seus lutadores e guerreiros.

Entretanto, acho que a crônica pretende referir o que está acontecendo no Brasil onde, aparentemente a própria história está se arrumando, uma vez que nenhum líder carismático conduz as manifestações e protestos das ruas.

Novamente, talvez.

O que vemos no Brasil é a classe política preocupada com as próprias prerrogativas, os partidos políticos desfeitos nas suas ideologias e uma tendência grave à que nada aconteça de verdade, nenhum fenômeno social de base, radical e evolutivo venha a prosperar.

A presidente faz da reforma política com plebiscito um cavalo de batalha enquanto os políticos, deliberadamente e para fazer confusão, apresentam idéias e propostas para uma reforma eleitoral, que chamam inadequadamente de reforma política.

A reforma política mexe com as instituições, muda a Constituição, transforma o país de alto a baixo, eliminando os eternos desmandos, reformulando totalmente o Poder Judiciário e o sistema processual brasileiro, este sim instituído de molde a tornar a Justiça lenta e sem por em risco as elites e apadrinhados.

Fazer, como se faz em democracias onde o Processo judicial é rápido, menos formal e, respeitando o princípio da federação, resolvido nos limites de cada Estado.

Transformar o Congresso Nacional no poder legislativo efetivo, sem privilégios e prerrogativas aos seus membros, unicameral para extinguir o senado, nada mais do que uma instituição de favores políticos, balcão de negócios e empreguismo de correligionários.

Retirar os poderes concentrados na presidência da república, transformando o executivo num executor daquilo que a população realmente deseja, sem esquemas e eufemismos retóricos para garantir o Poder a qualquer custo.

Fazer tudo isto sem líderes, sem alguém que vá às ruas e conquiste a opinião pública para, através dela, realizar as mudanças, quase impossível.

Talvez a crônica do Veríssimo esteja certa e que a História se faça por si mesma. Ainda não aconteceu e, quem sabe?, o Brasil e o jeitinho brasileiro inove, desta vez para o bem.

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