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24/07/2013 / Paulo Wainberg

Admirar

Certa vez escrevi uma crônica cujo título não lembro, na qual afirmei que o que mais deseja um vencedor de Prêmio Nobel ou qualquer outro prêmio importante em qualquer área da atividade, passadas as homenagens e o reconhecimento públicos, é festejar o prêmio no círculo pessoal das suas relações, família e amigos próximos.

É que tenho a clara percepção – e sentimento – de que o verdadeiro orgulho de uma conquista, nem precisa ser um premio, é o reconhecimento e a admiração dos próximos, que a aclamação pública é uma satisfação importante, porém fugaz.

A admiração interna daqueles com quem convivemos é perene, duradoura, para sempre.

Acredito que as pessoas querem ser admiradas e respeitadas no âmbito privado de suas vidas, admiração que realmente vale à pena e que enche de alegria, que faz estufar o peito e dá sentido à vida e às realizações.

Mas como se processa essa admiração?

Se alguém de suas relações diz que admira você e, na prática, no dia a dia, mostra exatamente o contrário, você é um danado, no sentido bíblico da palavra. Dizem que admiram e mostram o contrário.

Quando alguém próximo declara que você é o máximo para o público e, na intimidade afirma que você nada vale, que você é um fracasso, que na comparação com todos os seus amigos você está sempre abaixo, nada sobra de sua auto-estima e nenhuma aclamação pública modificará esse sentimento.

Porque é da natureza humana o desejo de reconhecimento e de admiração daqueles com quem você convive.

Eu mesmo, sempre que publico um livro, um texto, sempre que obtenho alguma vitória expressiva na minha profissão de advogado, o que mais desejo é que meus amigos e minha família reconheçam, admirem e, nas internas da mais íntima intimidade, demonstrem tal admiração.

Infelizmente, nem sempre isto acontece.

E quando não acontece, resta o aplauso público que, como todo o aplauso público é logo esquecido, posto de lado, porque o público está permanente em busca de algo para aplaudir.

Nas relações íntimas, quem admira você não se preocupa com o público.

Admira você e demonstra essa admiração com palavras, gestos, ações e atenções.

Triste é aquele que não consegue isto no seu ambiente, no seu habitat, na sua plena existência íntima e pessoal.

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