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16/07/2013 / Paulo Wainberg

Apelo

Tu, amada minha, que teimas em se esconder sob os lençóis da escuridão, hás-de compreender minha aflição.

Não sou, como pensas, um falastrão inconsequente, gosto de palavras quentes,  gosto de amores pungentes, da aflição que, como asseguram as harpias, são as garras da paixão.

Tu, minha amada, tão descarada e impudente, que fazes arder o coração e os órgãos de tanta gente, jamais compreenderás meu perdão, meu desígnio para a escravidão de buscar, entrementes e entredentes, o teu mínimo sorriso, a tua mais simples atenção.

Tu, minha amada, que queres o que não podes e não queres o que tens, com certeza um dia verás que deveras acaba a beleza, a finitude é o destino da juventude e, se não tiveres cuidado, ninguém, nem eu, adorará tua pele caída, teu coração partido, tua desilusão distraída, nem terá poesia a te declamar, triste e solitária hás de ficar.

Aceita meu amor, amada minha, amor que irradia não apenas a alegria, mas que aceita complacente o teu ser contente, tua alma quando triste e tudo o mais que sentes e em ti existe.

Não te apegues, minha amada, aos enganos da jornada prometida, ornada de diamantes, colares e anéis de brilhantes, pois são coisas passageiras, sem sentido lá adiante, quando tiveres a alma partida, sem destino, sem amante.

Quero, amada minha, tua plenitude, teu inteiro teor, tua letra registrada no tabelionato, tu escritura registrada no cartório, sem inquietude, sem dor, sem sobressalto, sem purgatório.

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