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15/07/2013 / Paulo Wainberg

Sinfonia em Or

Senhor, me diga por favor, sem briga e sem louvor, para onde carregarei a dor de ser apenas um morador, um humilde sofredor, um sublime cantor e um néscio trovador, um inquilino de vida onde és o locador.

Diga-me Senhor, qual o caminho renovador, qual o rumo do esplendor, o verdadeiro redentor que não seja o amor, que não seja o príncipe doador, que não seja o diabo malfeitor.

Mostre-me Senhor o amigo sonhador, a lâmina do lenhador, a escama do pescador, o ânima revelador, o próximo seguidor, o último em estertor.

Seja Senhor o meu nobre condutor, o perfume de cobre do ardor, a paixão esnobe da flor , tanta dor, tanta dor.

Obrigue-me Senhor a ser um prático seguidor, um apático negador das trevas e das tenebrosas lágrimas do amor.

Deixe-me Senhor isolado no torpor de um chope gelado nas águas do isopor, um verso para compor, um terço de um grande amor.

Permita-me Senhor saber de cor o espectro da cor, nascituro e provedor, sem tirar nem por, o encanto do falso louvor, o cadafalso do expectador, a navalha do barbeador, o pé descalço do holandês voador.

Provenha-me Senhor de um roto cobertor, neste esgoto e no fedor, um escroto estuprador, horror, pavor, terror.

Seja Senhor o infinito provedor do espírito incolor, do infinito motor que, sem tirar nem por, não é melhor nem pior do que a penitência, excrecência, experiência e rancor.

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