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30/06/2013 / Paulo Wainberg

Consulta possível

– Muito prazer, doutor Haroldo.

– Prazer, Jorge. Você foi indicado por quem?

– Li seu anúncio no jornal. O senhor é um psiquiatra para terapias breves, não é?

– Sou. Qual o seu problema?

– Eu quero me curar do homossexualismo.

– Por que? Você não gosta de ser gay?

– É que isso atrapalha muito a minha vida. Além das piadinhas e preconceitos, eu sou evangélico, minha igreja não aceita gays.

– Desde quando você é gay?

– Acho que nasci assim. Nunca senti coisa alguma por mulheres e sempre me senti atraído por homens.

– Algum problema na família, com seu pai, mãe, irmãos?

– Como assim?

– Você foi maltratado, abusado, sente coisas perversas  com sua família?

– Não, inclusive todos sabem que sou gay. No início meus pais ficaram chocados, mas hoje aceitam tranquilamente.

– E você acha que aqui, comigo, vai mudar o seu gosto?

– Como assim?

– Do que você gosta mais, de chuchu ou de morango?

– De morango, é claro.

– Gosta muito de morango?

– Gosto bastante, é muito gostoso.

– Mas não gosta de chuchu?

– Não. Chuchu não tem gosto de nada.

– Assim como homem e mulher?

– Hein?

– Homem é igual a morango, mulher é igual a chuchu?

– É.. acho que sim.

– Entendeu?

– Mais ou menos. Acho que sim.

– Você é gay porque gosta de homem e não de mulher. Você gosta de morango e não de chuchu. Isso não se muda, meu filho.

– Então, o que é que eu faço?

– Faz o seguinte, rapaz. Muda de igreja. Nosso tempo acabou.

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