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28/06/2013 / Paulo Wainberg

A última vida real

O Poeta, sóbrio, toma banho, bêbado não. Não usa água de cheiro, sabonete ou shampoo, lava-se com água e sabão, assoa o nariz para tirar o ranho e lembrando a amada perdida, faz coisa boa com a mão. aproveita que está nu.

Sua lírica transforma o chuveiro em chafariz, lava a cabeça para aliviar a comichão, esfrega o peito com soberba tesão, Poeta, afinal, ele é e usa um estilete para limpar a unha do pé.

O Poeta de cara limpa é funcionário público, escondido no cubículo, grampeando a papelada e carimbando almas penadas de dor, tristeza e paixão.

O Poeta quando não bebe garimpa escaninhos, consulta o saldo bancário, beija a mão do chefe salafrário, paga cafezinhos, está à disposição.

O Poeta de verdade é bêbado de paixão, cachaça e confusão. Paga o preço da tristeza, do azar e da melancolia.

Morre cedo de razão, faz da vida a poesia, paga o preço do arremedo sem noção até que um dia… Até que um dia.

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