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20/06/2013 / Paulo Wainberg

Tentando entender

Anacronismo você sabe o que é, então não preciso dizer que não é sinônimo de antigo nem de fora de moda.

Até há poucos anos no Brasil, os protestos populares eram organizados por partidos políticos e sindicatos de classe, que lideravam os movimentos com reivindicações claras e definidas.

As redes sociais, especialmente Facebook e Twitter, permitiram esta nova espécie de protesto que estamos vivendo, que teve como ponto de partida as tarifas de ônibus, mas que na verdade eclodiram na indignação contida de milhares e milhões contra, basicamente, os serviços que o Poder Público não estão prestando ao País.

O grande protesto nacional não é contra governos nem contra indivíduos, é contra o uso absurdo, corrupto e impune das Instituições brasileiras, desde o conceito de Nação até os três Poderes da República.

O grande protesto nacional não é revolucionário, não luta contra o regime, não quer depor Presidente do País e – e neste ponto reside a possibilidade de se cometer um anacronismo – não é uma manifestação utópica e sonhadora própria da juventude.

Antigamente sim, antigamente é Século XX para explicar melhor, a juventude, os estudantes, o povo saíam todos às ruas lutando por mudanças radicais, fim da ditadura, voto direto para Presidente, Fora Collor, desejos de revolução, mudança de regime e de sistema econômico.

A manifestação de muitos políticos diante dos atuais protestos são anacrônicas, atribuem o movimento ao ímpeto juvenil, ao idealismo do jovem, comparam-se e identificam-se com os atuais jovens brasileiros, como se eles fossem uma reprodução do que eles, esses políticos, fizeram na própria juventude.

Grave anacronismo.

O que os jovens desejam é que o Poder Executivo contenha seus gastos absurdos com cargos, ministérios, favores, gastos pessoais. Que o Poder Legislativo cumpra sua função de legislar em favor do País e do seu Povo, como deve ser numa Nação, sem corrupção, sem conchavos, marmeladas e edição de normas e leis que favorecem os seus membros. Que o Poder Judiciário seja eficaz e limpo, isto é, que acabe de vez com a impunidade e não se submeta a interesses políticos, econômicos e financeiros.

O que os jovens querem é que o País se torne digno para que o povo se sinta digno.

Em 1968 os estudantes e a juventude da França mudou, para sempre, a história francesa. Houve por lá conflitos, vandalismos, aproveitadores, exatamente com acontece aqui, hoje.

Agora os estudantes e a juventude brasileira mostram o que são, como pensam e como se comunicam, através de sua nova linguagem, da sua nova tecnologia e de seus novos e próprios valores.

Se os membros de nossas Instituições entenderem isto, temos um novo Brasil pela frente.

Se continuarem anacrônicos, teremos um imponderável conflito pela frente.

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