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17/06/2013 / Paulo Wainberg

Carta aos mais jovens

Não pretendo ser didático nem dono da verdade, apenas relatar fatos que ocorreram e que vivi, simplesmente porque estava vivo.

O golpe de 1964 foi uma reação da classe média alta, das elites políticas dominantes que, juntamente com o Exército, não aceitavam as propostas de reforma de base que João Goulart e Leonel Brizola queriam realizar no Brasil.

Eram propostas que modificavam a educação, a saúde e o sistema de trabalho, dentro de uma linha de socialismo democrático que ofendia a tradicional direita brasileira, rica e eterna detentora do poder.

Contra o golpe insurgiram-se os estudantes, intelectuais e todos aqueles que, de um modo ou de outro, eram idealistas e acreditavam nas utopias.

Basicamente formaram-se dois grupos de opositores, os radicais e os outros, denominados pejorativamente de ‘esquerda festiva’.

Os radicais não eram democratas. Eram contra o golpe de direita e queriam implantar, visivilmente e sem esconder, uma outra ditadura, a ditadura do proletariado nos moldes ideais pronunciados por Marx e na forma prática implantada por Stálin, na União Soviética.

Dilma Roussef, José Dirceu, José Genuino, José de Abreu e muitos outros, que partiram para a guerrilha armada e até para atos terroristas, eram contra a ditadura de direita porque queriam uma ditadura de esquerda.

Na época, e isto é muito importante salientar, o ideal da esquerda era uma sociedade justa e o sinônimo de sociedade justa parecia ser o regime soviético que, mais tarde soube-se, não passou de uma cruel, terrível, desumana e homicida ditadura caudilhesca cujos ideais teóricos foram transformados e benefícios práticos do Poder absoluto.

Dilma era brizolista na origem e stalinista no conceito. Sua luta, durante a ditadura, não foi pela democracia e sim pela ditadura da esquerda comunista. E isto não é uma crítica, é uma constatação que deve ser entendida dentro do contexto da época, sob pena de se cometer um anacronismo grosseiro.

A ‘esquerda festiva’ era composta por intelectuais e pensadores e pessoas descontentes com o regime de ditadura. Chamada de ‘festiva’ porque sua ação não ia além de longas conversas e intermináveis discussões, em bares principalmente, regadas a chope e batata frita.

A esquerda festiva não agia, mas falava e pensava. E foi ela quem manteve acesa a esperança da democracia e do fim da ditadura, o que se revelou eficaz na grande campanha dos anos oitenta em favor das ‘diretas já’, pleito que visava o fim da escolha do Presidente da República através de uma farsa parlamentar com a qual todos os políticos de então compactuaram, desavergonhadamente.

Queria-se o direito de eleger pelo voto direto o Presidente da República, o que a esquerda festiva considerou o primeiro grande passo para a democratização do País.

Hoje no Poder, aqueles que usaram a luta armada e o terrorismo para combater a ditadura de direito em favor de uma ditadura de esquerda, simplesmente resolveram o problema ideológico graças aos benefícios pessoais decorrentes do exercício do Poder. Dirceu e seus companheiros são homens ricos, Dilma não se preocupa em gastar milhões em suas viagens e todas as vantagens que a burocracia proporciona e favorece, como aconteceu na União Soviética e em todos os países comunistas, inclusive Cuba.

Por isto as manifestações contra a Copa do Mundo não tem qualquer sentido nem cabimento. A alegação suprema é de que o dinheiro investido poderia ser usado nas nossas carências. Porém, sem ter Copa do Mundo, desde 1950, nossas carências apenas cresceram e o dinheiro existente jamais foi investido para resolvê-las de vez.

É a mesma coisa que protestar contra um show de Roberto Carlos porque o dinheiro ali investido e ganho poderia ser usado para resolver as mesmas carências.

Esta é uma discussão que tenta igualar coisas diferentes. O futebol (Copa do Mundo) é entretenimento e paixão, nada tem a ver com dinheiro público. Entretanto a Copa do Mundo é um investimento nacional e, neste mundo empreendedor em que se valoriza o ganho e o lucro, é uma das maiores fontes de riqueza que um país pode conseguir.

O dinheiro da copa do mundo jamais será investido em outra coisa, assim como o dinheiro da extinta CPMF jamais foi investido na Saúde, que era para onde deveria ter ido.

Não se pode esquecer que é graças a Lula que a Copa do Mundo será no Brasil, assim como as Olimpiadas no Rio de Janeiro.

Foi ele o maior defensor e o principal articulador desses eventos. Porque sabia que os resultados seriam bons, no grosso para seu eleitorado, o povo, no detalhe para os bolsos privados que enriquecem com o dinheiro público.

Dilemas sociais não se resolvem com a falta de diversão, arte e literatura.

No Brasil de hoje temos muito circo, circo a dar e a valer, para todos os níveis e para todas as classes.

E temos também pão para todos. Mas pão, apenas, é pouco. Pão e circo não servem mais.

O país quer seriedade, quer justiça e quer o fim da impunidade.

Se a teoria do caos der certo, estamos no rumo de colisão com uma ditadura de esquerda, tão ruim e terrível quanto qualquer outra ditadura.

One Comment

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  1. Luiz Kowalczuk / Jun 17 2013 21:04

    Não pensou, escreveu e, não disse…!!!

    Gostar

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