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13/06/2013 / Paulo Wainberg

O pessimismo antagônico

Há muitos anos, quando ainda raciocinava com lucidez, criei a teoria do pessimismo antagônico, cuja principal premissa era a de que o melhor dia é sempre o anterior, pelo simples fato de já ter terminado.

Em outras palavras, ontem é sempre melhor do que hoje.

Hoje, com a mente mais infectada pelo acúmulo de informação e de virus irremovíveis em meu hardware, repensei a teoria, reflexão que me levou a uma nova premissa, esta sim definitiva acho, a menos que não seja:

O melhor dia é sempre o de ante-ontem, melhor do que ontem e infinitamente melhor do que hoje.

Explico.

Ontem já passou, por isto é melhor do que hoje quando, supostamente, você terá que fazer tudo o que devia fazer ontem e não fez.

Este era o fundamento piramidal da teoria do pessimismo antagônico.

Após décadas de estudos, percebi que ontem ainda está muito próximo de hoje, o que aconteceu ontem acorda você hoje de manhã, já vai tirando sua tranquilidade durante o café e obriga você a catalogar mentalmente quais as coisas que você não fez ontem e terá de fazer hoje e, como é lógico concluir, quase as coisas que você precisa fazer hoje e que vai deixar para amanhã.

Esta ciranda psico-pragmática afeta em primeiro lugar os seus nervos, em seguida o seu humor e logo depois sua capacidade motora, resultando que não raro, você acaba não fazendo hoje, nem o que deixou de fazer ontem nem o que precisa fazer hoje.

Estas variantes colocam você no estado de espírito conhecido vulgarmente como estar sempre atrasado, logo sempre em falta, logo permanentemente culpado.

E isto, meu querido, não é bom.

O mesmo não ocorre com ante-ontem, que já passou há tanto tempo que você nem lembra o que deveria fazer e não fez. Esta contingência já está acrescida nas variáveis de ontem que se abatem sobre você hoje, agora, neste instante e ainda que diante dessas palavras você resolva sair como um louco a resolver tudo de uma vez, não vai conseguir.

Do ponto de vista ontológico, isto é, uma análise sobre o sentido da vida, o vir a ser, as águas do rio nunca são as mesmas e quem somos, de onde viemos e para onde vamos, cheguei à formulação final da Teoria do Pessimismo Antagônico que, agora, lanço ao mercado para o consumo integral de todos os que, como eu, se preocupam com as coisas:

O passado é melhor do que o presente que é, sempre e qualquer circunstância, muito melhor do que o futuro.

Refletir sobre isto pode não ser uma obrigação, mas se você tiver fé, incondicional e verdadeira, talvez possa criar a sua Seita pessoal, expandí-la e, quem sabe, até transformá-la numa igreja.

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