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06/06/2013 / Paulo Wainberg

Eu sou (3)

Eu sou o cu do cachorro, a bosta na sola do pé, o feitiço do feiticeiro, o falso, o triste, o iludido. Eu sou a soma de nada, um pouco de coisa nenhuma, um erro da imaginação, o engodo, o medo e a traição. Eu sou um fogo sem chama, um gelo que não tem calor, um cabresto puxando o cavalo, a sujeira na unha da mão. Eu sou um porco bovino, um dente cariado, um útero desolado, um cancro na ponta da língua, sou a míngua, sou a íngua. Eu sou a dor de barriga, a próstata inflamada, o inimigo na trincheira, a égua na ribanceira, o fardo dos infelizes, o autor das diretrizes, o rei dos deslises, as matizes e a falta de cor. Eu sou doente dos nervos, um choque na inflação, um relho com pontas de pregos, um cobreiro, um vergão. Eu sou o umbigo de fora, o joanete e o facão, o cheiro de merda, o aneurisma no coração. Eu sou o pelego, o escravo, o inútil, o bravo fútil, o instinto assassino, o poder da podridão.

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